
A Rede de Telefonia se
Diversifica
(extraido do livro do WWI Sinais Vitais
2000)
por Molly O. Sheehan
O número de ligações de telefonia fixa em todo o
mundo aumentou 7 porcento, para 844 milhões em 1998, o último ano para o qual
existem dados disponíveis da União Internacional de Telecomunicações. Esta taxa
de crescimento foi mantida no mesmo ritmo durante a década de 90.
Entretanto, as linhas de telefonia convencional
representam uma parcela cada vez menor da rede total. Entre 1997 e 1998, as
assinaturas de telefones celulares cresceram 48 porcento, para 319 milhões. (Ver
Figura 2.) Durante toda a década de 90, o número de assinantes duplicou a cada
20 meses. O número de novos assinantes móveis ultrapassou as novas instalações
de telefonia fixa em 1996 e, em 1998, as novas ligações sem fio eram o dobro das
novas ligações fixas.
Embora as linhas telefônicas hoje alcancem todos
os continentes e as chamadas possam ser feitas de vilarejos remotos, através de
um telefone móvel que lança sinais de rádio para uma torre celular ou satélite
de comunicações, os serviços básicos de telefonia ainda não são acessíveis à
muitos. O tráfego telefônico internacional disparou de aproximadamente 80
bilhões de minutos em 1997, para mais de 90 bilhões de minutos em 1998, mas
quase três quartos dessas chamadas originaram-se em apenas 23 países
industrializados. Algumas das novas tecnologias e políticas que transformam o
setor de telecomunicações poderiam ajudar a ampliar a rede para áreas menos
servidas.
A digitalização é um fenômeno tecnológico que
impulsiona a mudança. As redes de telefonia tradicionalmente transmitiam o som
como ondas analógicas. Hoje, porém, muitos tipos de informações – não apenas
som, mas também texto, imagem ou vídeo – podem ser transmitidos como bits
compactados na linguagem binária dos computadores. Consequentemente, as
linhas que separam as empresas telefônicas de outras indústrias estão se
tornando menos distintas.
Uma força motriz tecnológica correlata é o
crescimento da capacidade de transmissão de informações, na medida que os
computadores tornaram-se mais possantes e os fios de cobre foram substituídos
por eficientes fibras de vidro que transmitem sinais de luz. A um dado momento,
todo o tráfego telefônico interurbano da América do Norte poderia teoricamente
ser conduzido por um simples par dessas fibras ópticas, cada uma da espessura de
um cabelo humano. As ligações digitais de alta capacidade permitem a realização
de comunicações em novas formas – por exemplo, o telefone junto à televisão ou à
Internet. Em 1999, várias empresas expuseram seus projetos para telefones sem
fio que permitem aos usuários navegar na Internet.
Os governos estão adotando novas políticas, tanto
para ajustarem-se às mudanças tecnológicas como para encorajar a
competitividade. Mais de 150 países introduziram nova legislação de
telecomunicações ou alteraram a legislação existente, durante a década de 90.
Após a mais recente onda de abertura de mercados, a parcela de países onde
monopólios controlam os serviços de telefonia básica caiu para 73
porcento.
Por outro lado, os monopólios controlam as
operações da telefonia móvel em apenas um terço dos países. A Europa, com maior
grau de competitividade, também registrou o maior crescimento no uso do telefone
celular. As tendências atuais indicam que, em algum ponto entre 2001 e 2007, o
número total de ligações móveis em todo o mundo suplantará as ligações
fixas.
Os telefones móveis, mais freqüentemente
utilizados nos países ricos, têm muitas vantagens para os países mais pobres.
Torres celulares podem ser construídas em menos tempo do que o assentamento de
cabos e fios. E os sistemas sem fios podem se mostrar mais duradouros do que
linhas telefônicas de cobre, freqüentemente roubadas para vender como sucata ou
danificadas por guerras. Os dois países que já possuem mais assinantes celulares
do que fixos são a Finlândia, líder da tecnologia, e o Camboja, uma nação
devastada por guerras. Desde 1992, quando os telefones celulares foram
introduzidos, o Camboja ultrapassou 31 outros países no número per capita de
ligações de telefones.
A despeito do seu benefício, os telefones móveis
também têm desvantagem. Por exemplo, as torres necessárias para a transmissão
dos sinais perturbam a beleza das áreas silvestres e parques urbanos. E fazer
ligações ao dirigir pode se transformar numa combinação mortal: um estudo da
Universidade de Toronto constatou que as pessoas que utilizam o celular ao
dirigir têm quatro vezes mais chances de se acidentarem do que outros
motoristas. Uma interrogação ainda sem resposta é se os sinais de rádio dos
telefones móveis podem prejudicar a saúde humana.
Molly O. Sheehan é pesquisadora do WWI-Worldwatch
Institute
Gráficos e Estatísticas no "Sinais
Vitais 2000"
© WWI-Worldwatch Institute /
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