WWI
Worldwatch Institute
Cortes
da BP-British Petroleum contradizem Bush nos custos da Mudança Climática
Por
Seth Dunn
A
política climática de Bush II tem mantido o mantra que ações obrigatórias para
lidar com a mudança climática seriam proibitivas e custariam milhões de
empregos, reduzindo o produto interno bruto e prejudicando a competitividade
dos Estados Unidos.
A
“falha fatal” do argumento de Bush (para utilizar uma frase favorita do
Governo) é que suas estimativas são baseadas em modelos econômicos teóricos que
deixam de captar como a política ambiental afeta a mudança tecnológica. Tendo
sido diplomado pela Harvard Business School, pioneira do método de “estudo de
caso” no exame de experiências corporativas do mundo real, Bush deveria ter
mais senso. Na realidade, tenho um estudo de caso para ele ler. Trata-se de uma
empresa de energia, líder mundial, que – através do estabelecimento de metas
ambiciosas – está encontrando formas de reduzir as emissões sem aumento global
de custos.
Numa
palestra na Stanford Business School, em 11 de março, o Diretor Presidente da
BP, John Browne, anunciou que sua empresa havia atingido seu objetivo interno
de reduzir as emissões de gases de estufa quase oito anos antes da data
programada, sem custo líquido algum. Foi o próprio Browne que, cinco anos antes
em Stanford, havia sacudido a indústria energética ao anunciar que sua empresa
decidira que os riscos da mudança climática justificavam ações acautelatórias.
No ano seguinte, Browne marcou outro tento na indústria energética ao se
comprometer a reduzir as emissões de gases de estufa da sua empresa em 10%
abaixo dos níveis de 1990, até 2010. Em 11 de março, ele anunciou que
“cumprimos a meta” com grande antecedência.
Como
foi que a BP conseguiu? Ao reduzir o uso de energia, melhorar a eficiência
geral – evitando vazamentos de gasodutos e queima de gás – redirecionando-se
para produtos mais limpos como combustíveis de transportes com baixo teor
sulfúrico e gás natural, e negociando internamente as emissões, a BP reduziu
suas emissões para 10 milhões de toneladas abaixo do nível de 1980. “Esta
conquista,” observou Browne, “não foi produto de nenhuma fórmula mágica
específica, e sim de centenas de iniciativas diferentes, realizadas por dezenas
de milhares de pessoas por toda a BP, ao longo dos últimos cinco anos.”
A
BP também atingiu o alvo sem custo econômico, com economias monetárias advindas
de menores insumos energéticos e maior eficiência, superando os gastos. Uma
refinaria no Texas economizou US$ 5 milhões e 300.000 toneladas de equivalência
de dióxido de carbono. Uma indústria química na Coréia reduziu custos em US$
4,5 milhões e emissões de CO2 em 49.000 toneladas. Browne considera
o benefício econômico líquido “uma surpresa positiva – pois começa a responder
aos temores expressos por aqueles que acreditavam que os custos da adoção de
ações acautelatórias seriam imensos e insustentáveis.”
Nos
Estados Unidos, esses falsos receios foram alimentados ao público pelo lobby da
indústria do carvão – estimulado pela vitória de Bush em West Virginia, em 2000
– como também por muitas empresas de energia elétrica e de petróleo. Porém,
eles encontram apoio intelectual nos economistas, cujos modelos climáticos
assumem que só com aplicação de altos impostos energéticos o problema seria
solucionado. Resultando em estimativas de alto custo, estes modelos abstratos
estão diametralmente opostos à experiência da BP sobre o que funciona e quanto
custará.
O
sucesso da BP não significa que não haverá custos para se resolver a mudança
climática. Alguns setores e negócios serão impactados negativamente. Mas, se
fatorarmos os benefícios – danos evitados de tempestades, redução da poluição
atmosférica e da chuva ácida, exportações e geração de empregos – a economia,
como um todo, ganhará.
Como
também se beneficiarão aqueles que agirem rápido, como a BP que, ao integrar o
clima em sua estratégia comercial, está seguindo celeremente ao longo de uma
curva de aprendizado que gerou cortes de emissões, economia de custos e a
confiança de assumir um novo compromisso: manter as emissões de suas operações
a 10% abaixo dos níveis de 1990, até 2012, através de maiores ganhos de
eficiência energética e comercialização de créditos de carbono. Ao longo do
tempo, a empresa planeja realizar cortes mais profundos, através da
transferência contínua para o gás natural, ampliação do empreendimento solar
(que cresceu 40% em 2001), e o desenvolvimento de outras fontes renováveis de
energia e de hidrogênio.
Pode-se
argumentar que a experiência da BP prova que medidas voluntárias para lidar com
a mudança climática são suficientes para resolver o problema. Este argumento
seria mais sustentável se Browne tivesse chegado à mesma conclusão – o que não
é o caso. Para que o negócio da energia seja reinventado para enfrentar a
mudança climática, argumenta Browne, “precisamos da ajuda dos governos” para
implantar uma estrutura adequada de incentivos, necessária para se alcançar a
estabilização climática.
O
Protocolo de Kyoto prevê esta estrutura, lançando sinais à indústria para
acelerar a descarbonização da energia. Infelizmente, o maior emissor mundial –
com 24% das emissões globais de carbono – retirou seu apoio ao Protocolo e
deixou de oferecer uma estrutura alternativa confiável. Até mesmo líderes do
setor reconhecem que a iniciativa apresentada pelo Governo no mês passado é uma
política do status-quo, pouco representando em termos de contribuição para a
redução das emissões dos Estados Unidos.
A
triste verdade é que a política climática do Diretor Presidente Bush, limitada
por interesses industriais paroquianos, está muito aquém da visão e estratégia
global do Diretor Presidente Browne. Espero que nosso Presidente, MBA por
Harvard, dê uma olhada no mais recente estudo de caso sobre a BP e a mudança
climática. Talvez até mesmo despache-o para seus assessores econômicos e
lobistas corporativos.
Seth
Dunn é pesquisador associado do WWI-Worldwatch Institute
Todos os direitos reservados,
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