Sinais de Estresse: A Base Biológica

II

A Nova Economia



Eco-Eonomia


A Feição da Eco-Economia

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A Feição da

Eco-Economia

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Em março de 2000, numa palestra sobre Estado do Mundo 2000 para o Banco Mundial, assinalei que os projetos propostos deveriam ajudar a criar uma economia ambientalmente sustentável, e não autodestrutiva. Em resposta, alguém declarou que o Banco sempre realiza uma avaliação ambiental de seus projetos. Aí é que está o problema, respondi. Cientistas ambientais estão avaliando os efeitos dos projetos após os economistas terem decidido quais investimentos realizar. Na melhor das hipóteses, os cientistas podem sugerir medidas mitigadoras para o dano ambiental causado pelos projetos selecionados por economistas.

Quais são as chances de um economista sem experiência ecológica esquematizar independentemente projetos que criem em coletivadade uma economia ambientalmente sustentável? Não muitas. Poder-se-ia dizer o mesmo sobre todos os principais tomadores de decisões econômicas _ planejadores corporativos, legisladores governamentais e banqueiros de investimento.

Como observado no Capítulo 1, uma economia só é sustentável quando respeita os princípios da ecologia. Esses princípios são tão reais quanto aqueles da aerodinâmica. Para que uma aeronave possa voar, terá que satisfazer certos princípios de empuxo e sustentação. Da


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mesma forma, para que uma economia sustente o progresso, deverá satisfazer os princípios básicos da ecologia. Se não o fizer, declinará e entrará em colapso. Não há meio termo. Uma economia ou é sustentável ou não é.

A economia global atual foi formada por forças de mercado e não por princípios de ecologia. Infelizmente, ao deixar de refletir os custos totais dos bens e serviços, o mercado presta informações enganosas aos tomadores de decisões econômicas, em todos os níveis. Isso criou uma economia distorcida, fora de sincronia com os ecossistemas da Terra _ uma economia que está destruindo seus sistemas naturais de suporte.

O mercado não reconhece os conceitos ecológicos básicos de produção sustentável, nem respeita os equilíbrios da natureza. Por exemplo, não dá atenção ao desequilíbrio crescente entre as emissões de carbono e a capacidade da natureza de fixar o carbono, e muito menos ao papel da queima dos combustíveis fósseis na criação do desequilíbrio. Muitos economistas não dão importância à elevação dos níveis de dióxido de carbono (CO2). Para um ecólogo, essa elevação _ motivada pelo uso de combustíveis fósseis _ é o sinal de mudança para outras fontes de energia, a fim de evitar aumento de temperaturas, degelo e elevação do nível do mar.

Uma eco-economia é aquela que satisfaz nossas necessidades sem prejudicar as perspectivas de as futuras gerações atenderem às suas necessidades, como assinalou a Comissão Brundtland, quase 15 anos atrás. O propósito deste capítulo é proporcionar uma visão de como seria uma eco-economia. Também pretende dar uma idéia da abrangência dessa mudança. Uma tarefa nada trivial.1

Ecologia Sobre a Economia

Os ecólogos conhecem os processos ecológicos que sustentam a vida na Terra. Conhecem a função fundamental da fotossíntese, o conceito de produção sustentável, o papel dos ciclos de nutrientes, o ciclo hidrológico, o papel sensível do clima e a relação complexa entre o reino vegetal e animal. Sabem que os ecossistemas da Terra fornecem bens e serviço e que estes últimos freqüentemente são mais valiosos que os primeiros.

Uma economia sustentável respeita a produção sustentável dos ecossistemas dos quais dependem: pesqueiros, florestas, pastos e áreas


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cultivadas. Um determinado pesqueiro pode sustentar um pescado de determinado volume, porém se a demanda sobre ele exceder a produção sustentável, até mesmo num volume mínimo _ digamos, 2% _ os estoques começarão a encolher e finalmente desaparecer. Contanto que a colheita não exceda a produção sustentável, poderá ser sustentada perpetuamente. O mesmo se aplica às florestas e pastos.

A natureza também depende de equilíbrios. Esses incluem o equilíbrio entre a erosão do solo e a formação de novo solo, entre emissões de carbono e fixação de carbono e entre árvores moribundas e árvores em regeneração.

A natureza depende dos ciclos para manter a vida. Na natureza não existem fluxos lineares, ou situações em que a matéria-prima entra de um lado e o lixo sai do outro. Na natureza, o resíduo de um organismo é o sustento de outro. Nutrientes são continuamente reciclados. Esse sistema funciona. Nosso desafio é replicá-lo no desenho da economia.

Os ecólogos reconhecem a função da fotossíntese, o processo pelo qual as plantas convertem energia solar em energia bioquímica que sustenta a vida na Terra. Qualquer coisa que reduza o produto fotossintético, como a desertificação, asfaltamento de terras produtivas ou acidificação de lagos pela chuva ácida, diminui a produtividade da Terra em seu sentido mais fundamental.

Apesar dessa consolidação de conhecimentos ecológicos, governos nacionais expandiram a atividade econômica com pouco apreço à produção sustentável ou aos frágeis equilíbrios da natureza. Ao longo do último meio século, a expansão sétupla da economia global forçou a demanda sobre ecossistemas locais além da produção sustentável em país após país. O crescimento quíntuplo do pescado mundial, desde 1950, forçou a demanda sobre a maioria dos pesqueiros , além de sua capacidade de produzir peixes sustentavelmente. O aumento sêxtuplo da demanda mundial por papel está encolhendo as florestas globais. A duplicação dos rebanhos bovinos, ovinos e caprinos mundiais, desde 1950, está danificando pastos, transformando-as em desertos.2

Um ecólogo não só reconhece que os serviços prestados pelos ecossistemas podem às vezes valer mais que os bens, mas também que o valor dos serviços precisa ser calculado e incorporado aos sinais do mercado para que sejam protegidos. Embora o cálculo dos serviços não seja uma tarefa simples, qualquer estimativa razoável é muito melhor do que assumir que os custos são zero, como ocorre hoje. Por


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exemplo, uma floresta na parte superior de uma bacia hidrográfica pode prestar serviços como controle de enchente e reciclagem das chuvas no interior, muito mais valiosos do que sua produção de madeira. Infelizmente, os sinais de mercado não refletem isso, pois as madeireiras que derrubam árvores não arcam com os custos da redução dos serviços. Políticas econômicas nacionais e estratégias corporativas se baseiam principalmente nos sinais do mercado. A derrubada de uma floresta pode ser lucrativa para uma madeireira, mas é economicamente onerosa para a sociedade.

Outro grande fracasso do mercado em fornecer informações confiáveis surge quando governos subsidiam a exaustão de recursos ou atividades ambientalmente destrutivas. (Vide também Capítulo 11.) Por exemplo, ao longo de várias décadas, o Serviço Florestal dos Estados Unidos utilizou recursos dos contribuintes para abrir estradas em florestas nacionais para que as madeireiras pudessem explorá-las. Isso não só reduziu artificialmente o custo da madeira e do papel, mas também provocou enchentes, erosão do solo e o assoreamento de córregos e rios. No noroeste do Pacífico, destruiu pesqueiros de salmão altamente produtivos. E toda essa destruição foi assumida pelos contribuintes.3

Num mundo onde a demanda da economia pressiona os limites dos sistemas naturais, a dependência de sinais distorcidos de mercado para orientar decisões de investimento é uma receita para o desastre. Historicamente, quando a oferta de peixe era inadequada, o preço subia, encorajando investimentos em novas traineiras. Quando havia mais peixe no mar do que jamais esperaríamos pescar, o mercado funcionou bem. Hoje, com o pescado freqüentemente superando a produção sustentável, o investimento em mais traineiras em resposta aos altos preços irá simplesmente acelerar o colapso desses pesqueiros.

Existe uma situação semelhante com outros sistemas naturais, como aqüíferos, florestas e pastos. Assim que a demanda crescente pela água suplanta a produção sustentável de aqüíferos, os lençóis freáticos começam a cair e os poços secam. O mercado manda cavar poços mais profundos. Agricultores se engajam numa orgia competitiva de perfuração de poços, perseguindo os lençóis mais profundamente. Na planície norte da China, onde 25% dos grãos são produzidos, esse processo está em curso. Na Província de Hebei, dados de 1999 revelam 36.000 poços, na maioria rasos, sendo abandonados durante o ano à medida


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que 55.000 novos poços, mais profundos, eram perfurados. Na Província de Shandong, 31.000 foram abandonados e 68.000 poços novos foram perfurados.4

Numa eco-economia, por definição uma que respeita os princípios da ecologia, a perfuração de poços adicionais seria proibida logo que um lençol freático desse sinais de queda. Ao invés de gastar dinheiro para cavar poços mais profundos, os investimentos seriam canalizados para medidas que incrementassem a eficiência hídrica e estabilizasse a população, a fim de equilibrar o consumo da água com a oferta sustentável.

Aumentam as evidências de que nossa economia global está lentamente se solapando em várias frentes. Para que o avanço econômico continue, não resta outro recurso senão reestruturar sistematicamente a economia global a fim de torná-la ambientalmente sustentável.

Uma Tarefa Gigantesca

A conversão de nossa economia numa eco-economia é uma tarefa gigantesca. Não existem precedentes para a transformação de uma economia formada, em grande parte, por forças do mercado para outra moldada nos princípios da ecologia.

A escala do crescimento econômico projetado retrata a dimensão do desafio. O crescimento da produção mundial de bens e serviços, de US$ 6 trilhões em 1950 para US$ 43 trilhões em 2000, causou devastação ambiental numa escala que nunca poderíamos ter imaginado meio século atrás. Caso a economia mundial continue a expandir a uma taxa de 3% anuais, a produção de bens e serviços quadruplicará ao longo do próximo meio século, atingindo US$ 172 trilhões.5

Construir uma eco-economia no tempo disponível requer mudanças sistêmicas aceleradas. Não teremos êxito com projetos pontuais. Podemos ganhar batalhas ocasionais, mas perderemos a guerra por não dispormos de uma estratégia para uma mudança econômica sistêmica, que colocará o mundo num caminho desenvolvimentista ambientalmente sustentável.

Embora o conceito de desenvolvimento ambientalmente sustentável tenha evoluído há um quarto de século, nenhum país dispõe de uma estratégia para criar uma eco-economia _ para restaurar os equilíbrios do carbono, estabilizar as populações e lençóis freáticos e conservar suas florestas, solos e diversidade vegetal e animal. Podemos


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identificar nações individuais bem-sucedidas com um ou mais elementos da reestruturação, mas nenhuma que esteja avançando satisfatoriamente em todas as frentes.

Não obstante, pode-se vislumbrar sinais da eco-economia em alguns países. Por exemplo, 31 países da Europa, mais o Japão, estabilizaram suas populações, satisfazendo uma das condições mais básicas de uma eco-economia. A Europa estabilizou sua população dentro da sua capacidade produtora de alimentos, deixando-a com um superávit exportável de grãos para ajudar a compensar os déficits dos países em desenvolvimento. Ademais, a China _ a nação mais populosa do planeta _ tem hoje menor fertilidade que os Estados Unidos e caminha para a estabilidade populacional.6

Entre as nações, a Dinamarca é líder em eco-economia. Estabilizou sua população, proibiu a construção de usinas a carvão, proibiu o uso de vasilhames descartáveis para bebidas e hoje obtém 15% de sua eletricidade do vento. Além disso, reestruturou sua rede de transportes urbanos; atualmente, 32% de todos os percursos em Copenhague são realizados em bicicletas. A Dinamarca ainda está longe de equilibrar as emissões e fixações de carbono, mas segue nessa direção.7

Outros países também atingiram metas específicas. Um programa de reflorestamento na Coréia do Sul, iniciado há mais de uma geração, arborizou as colinas e montanhas do país. Costa Rica tem um projeto de mudança total para energia renovável até 2025. Islândia, juntamente com um consórcio de corporações liderado pela Shell e DaimlerChrysler, planeja se tornar a primeira economia mundial movida a hidrogênio.8

Assim, vemos elementos de uma eco-economia emergente, mas uma mudança sistêmica requer uma mudança fundamental nos sinais de mercado, sinais que respeitem os princípios da sustentabilidade ecológica. Se não estivermos motivados para transferir impostos sobre renda para atividades ambientalmente destrutivas, como emissões de carbono e uso pródigo da água, não conseguiremos construir uma eco-economia. (Vide Capítulo 11.)

A restauração dos equilíbrios da natureza é uma tarefa gigantesca. No caso da energia, depende da mudança de uma economia baseada no carbono para outra baseada no hidrogênio. Até mesmo as empresas petrolíferas mais progressistas, como BP e Royal Dutch Shell, que alardeiam sobre a construção de uma economia energética solar e de hi


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drogênio, continuam a investir maciçamente em petróleo, com as alocações para fontes benéficas ao clima representando uma minúscula parcela dos seus investimentos.9

A redução da erosão do solo ao nível de uma nova formação de solo exigirá mudanças nas práticas agrícolas. Em algumas situações, significará mudar da lavra intensa para lavra mínima ou lavra alguma. O agroflorestamento terá um grande destaque numa eco-economia.

A regeneração de florestas que reciclam as chuvas no interior e controlam enchentes é, em si mesma, uma tarefa gigantesca. Significa reverter décadas de corte de árvores e desmatamento através da restauração florestal, uma atividade que requererá milhões de pessoas plantando bilhões de árvores.

A construção de uma eco-economia afetará cada faceta de nossas vidas. Alterará a forma como iluminaremos nossas casas, o que comeremos, onde viveremos, como passaremos nossas horas de lazer e quantos filhos teremos. Dar-nos-á um mundo onde seremos parte da natureza e não estranhos a ela.

Reestruturação da Economia

Uma economia em sincronia com o ecossistema da Terra contrastará profundamente com a economia poluidora, perturbadora e, por fim, autodestruidora de hoje _ uma economia do descarte, baseada no combustível fóssil e centrada no automóvel. Uma das atrações do modelo econômico ocidental é a elevação dos padrões de vida de um quinto da humanidade para um nível que nossos ancestrais nunca teriam sonhado, proporcionando uma dieta incrivelmente diversificada, níveis sem precedentes de consumo material e mobilidade física inimaginável. Mas, infelizmente não funcionará a longo prazo mesmo para esse quinto afluente e muito menos para o resto do mundo.

Entre os setores econômicos chave _ energia, materiais e alimentos _ as mudanças mais profundas serão na energia e nos materiais. É difícil imaginar uma reestruturação setorial mais fundamental do que a do setor energético, saindo do petróleo, carvão e gás natural para a energia eólica, solar e geotérmica.

Quanto aos materiais, a mudança não será tanto nos materiais utilizados como na estrutura do setor propriamente dito, ao sair do modelo econômico linear, em que os materiais vão da mina ou floresta para os lixões, para o modelo da reutilização/reciclagem. Nesse sistema de


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ciclo fechado, que espelha a natureza, as indústrias de reciclagem substituirão, em grande parte, as indústrias extrativas.

No setor alimentício, as grandes mudanças não estarão na estrutura, e sim na forma como o setor é gerido. O desafio aqui é o melhor manejo do capital natural, a estabilização dos aqüíferos através do aumento da produtividade hídrica e a conservação da camada superior do solo, pela modificação das práticas agrícolas. E, acima de tudo, significa sustentar o aumento da produtividade do solo, a fim de evitar o desmatamento de mais florestas para a produção de alimentos.

Podemos ver agora a feição de uma eco-economia. Em vez de ser conduzida por combustíveis fósseis, será movida por fontes de energia derivadas do Sol, como o vento e a luz, e pela energia geotérmica do interior da Terra. (Vide Capítulo 5.) Será baseada no hidrogênio, em vez do carbono. Carros e ônibus serão movidos por motores de célula de combustível, alimentados por eletricidade gerada através de um processo eletroquímico que utiliza hidrogênio como combustível, em vez de motores de combustão interna. Com células de combustíveis movidas a hidrogênio, não existirá o CO2, perturbador do clima, nem poluentes nocivos à saúde; só haverá emissão de água.

Na nova economia, os níveis de CO2 atmosférico estarão estáveis. Em contraste à economia energética moderna, em que as reservas mundiais de petróleo e carvão estão concentradas em um punhado de nações, as fontes de energia da eco-economia estarão amplamente dispersas _ tão amplamente distribuídas como a luz solar e o vento. A alta dependência de todo o mundo de uma região geográfica _ o Oriente Médio _ para grande parte da energia, provavelmente cairá à medida que novas fontes de energia benéficas ao clima e motores a célula de combustível assumam o controle.

A economia energética será essencialmente uma economia solar e de hidrogênio, com várias fontes derivadas do Sol, sendo utilizadas diretamente para aquecimento e refrigeração, ou indiretamente para produzir eletricidade. A eletricidade eólica, provavelmente a mais barata fonte energética, será utilizada para eletrolizar a água, produzindo o hidrogênio. Isso proporciona um meio tanto de armazenar quanto de transportar a energia eólica. Inicialmente, os gasodutos existentes serão utilizados para a distribuição do hidrogênio. Porém, a mais longo prazo, tanto os gasodutos quanto os oleodutos poderão ser adaptados para transportar hidrogênio, à medida que o mundo muda de uma


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economia baseada no carbono para uma economia baseada no hidrogênio.

Os transportes urbanos mudarão _ na realidade, já estão mudando. Ao invés dos sistemas modernos barulhentos, congestionados, poluidores e centrados no automóvel, as cidades terão sistemas baseados em trilhos que favorecem o ciclismo e pedestrianismo, proporcionando maior mobilidade, exercício, ar mais puro e menos frustração. (Vide Capítulo 9.) Os historiadores do futuro, ao analisarem o sistema atual, provavelmente o considerarão como uma idade das trevas na evolução urbana.

Os sistemas de transportes urbanos manterão os mesmos componentes de hoje: automóvel, ferrovia, ônibus e bicicleta. A diferença estará no mix. À medida que mais e mais planejadores urbanos reconhecem o conflito inerente entre o automóvel e a cidade, novos sistemas de transporte, mais limpos e mais eficientes, serão desenvolvidos. A mobilidade individual urbana aumentará à medida que o uso do automóvel e o congestionamento do trânsito diminuam.

O setor de materiais da eco-economia também será muito diferente. (Vide Capítulo 6.) Economias industrializadas adultas, com população estabilizada, poderão operar em grande parte através da reciclagem dos materiais já em uso. O ciclo dos materiais se fechará, sem gerar desperdício ou resíduos para os lixões.

Uma das chaves da reversão do desmatamento da Terra é a reciclagem do papel; o potencial aqui foi atingido apenas parcialmente. Uma segunda chave é o desenvolvimento de fontes de energia alternativa que reduzirão o volume de madeira utilizada como combustível. Além disso, o incremento da eficiência da queima da madeira poderá reduzir significativamente a pressão sobre as florestas.

Uma outra opção promissora é o uso de plantações arbóreas cuidadosamente planejadas, ecologicamente manejadas e altamente produtivas. Uma pequena área destinada às plantações poderá ser fundamental para a proteção das florestas em nível global. As plantações poderão produzir várias vezes mais madeira por hectare do que uma floresta natural.

Na economia do futuro, o consumo da água estará em linha com a oferta. Os lençóis freáticos estarão estabilizados, e não em declínio. A reestruturação econômica será planejada para elevar a produtividade hídrica em cada faceta da atividade econômica.


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Nessa economia ambientalmente sustentável, a produção da pesca oceânica, fonte principal de proteína animal na dieta humana, será reduzida ao nível sustentável. A demanda adicional será atendida pela piscicultura. Isso, na realidade, é uma versão aquática da mesma mudança que ocorreu durante a transição da caça e coleta para o cultivo. A policultura da carpa herbívora de água doce, da qual os chineses são altamente dependentes para sua imensa piscicultura, proporciona um modelo ecológico para o resto do mundo.10

Uma situação de certa forma semelhante ocorre nos pastos. Uma das chaves para a aliviar a pressão excessiva sobre os pastos é alimentar os rebanhos com os resíduos agrícolas que, de outra forma, são queimados como combustível ou lixo. Essa tendência, já muito desenvolvida na Índia e China, pode ser a chave para a estabilização dos pastos mundiais. (Vide Capítulo 7.)11

E finalmente a nova economia terá uma população estável. A mais longo prazo, a única sociedade sustentável será aquela cujos casais tenham em média dois filhos.

Novas Indústrias, Novos Empregos

Descrever a eco-economia obviamente é uma tarefa de certa forma especulativa. No final, entretanto, não é tão imprecisa como poderia parecer, uma vez que as linhas gerais da eco-economia são definidas pelos princípios da ecologia.

O propósito em descrever a reestruturação da economia como um todo antes de se concentrar nos capítulos sobre os setores-chave é de dar uma idéia da dinâmica em ação. As tendências e mudanças específicas descritas não são projeções do que irá acontecer, embora o verbo futuro seja freqüentemente utilizado aqui por questão de eficiência. Ninguém sabe se essas mudanças de fato ocorrerão, mas sabemos que algo semelhante será necessário para que se possa construir uma eco-economia.

O que não está muito claro é como os princípios ecológicos se traduzirão em planejamento econômico, uma vez que, por exemplo, cada país tem uma combinação singular de fontes de energia renovável que moverá sua economia. Alguns países poderão fazer uso amplo de todas suas fontes de energia renovável, enquanto outros talvez se concentrem em uma que seja particularmente abundante, digamos solar ou eólica. Um país rico em energia geotérmica poderá preferir estruturar sua economia energética em torno dessa fonte subterrânea.


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A construção de uma nova economia envolve a desativação gradativa de velhas indústrias, reestruturação das existentes e criação de novas. O consumo mundial de carvão já está sendo eliminado gradativamente, tendo caído 7% após seu pico em 1996. Está sendo substituído por ganhos de eficiência em alguns países; por gás natural em outros, como no Reino Unido e na China; e por energia eólica em outros mais, como na Dinamarca.12

A indústria automobilística enfrentará uma significativa reestruturação ao substituir fontes de energia, saindo do motor de combustão interna a gasolina para o motor de célula de combustível a hidrogênio. Essa mudança da energia explosiva, derivada da ignição do vapor da gasolina, para uma reação química que gera eletricidade exigirá a re-instrumentação das fábricas de motores e o re-treinamento de engenheiros e mecânicos automotivos.

A nova economia também criará novas e grandes indústrias ainda não existentes ou incipientes. A geração da energia eólica é uma delas. (Vide Tabela 4-1.) Ainda em estado embrionário, promete se tornar a base da nova economia energética. Milhões de turbinas estarão em breve convertendo o vento em eletricidade, tornando-se parte da paisagem global. Em muitos países, o vento suprirá tanto a eletricidade quanto, através da eletrólise da água, o hidrogênio. Juntos, eletricidade e hidrogênio poderão atender a todas as necessidades energéticas de uma sociedade moderna.

Na realidade, haverá três novas indústrias subsidiárias, associadas à energia eólica para fabricação, instalação e manutenção de turbinas. Instalações fabris se localizarão em dezenas de países, industrializados e em desenvolvimento. A instalação, basicamente uma indústria de construção, terá uma natureza mais local. A manutenção, sendo uma atividade cotidiana, será uma fonte constante de emprego local.

A robustez da indústria de turbinas eólicas evidenciou-se em 2000 e 2001, quando estoques de alta tecnologia estavam em queda livre mundialmente. Enquanto as empresas de alta tecnologia, como um grupo, sofriam um mau desempenho, as vendas de turbinas eólicas aumentavam, elevando a receita dos fabricantes para o topo dos gráficos. O crescimento contínuo desse setor deverá se manter durante as próximas décadas.

À medida que a energia eólica emerge como uma fonte de eletricidade de baixo custo e se consolida como fonte principal de energia,


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Tabela 4_1. Exemplos de Indústrias da Eco-Economia

Indústria

Descrição


Piscicultura

Fabricação de

bicicletas

Construção de

fazendas eólicas

Fabricação de

turbinas eólicas

Geração de

hidrogênio

Fabricação

de célula de

combustível

Fabricação de

células solares

Construção de transportes leves sobre trilhos

Silvicultura

Embora o crescimento seja menor do que a taxa de dois dígitos da última década, a expansão acelerada deverá continuar

.

Por serem não poluidoras, silenciosas e exigirem pouco espaço de estacionamento, além de proporcionar o exercício necessário nas sociedades sedentárias, as bicicletas se tornarão cada vez mais comuns.

A geração de energia eólica, inclusive fazendas eólicas marinhas, crescerá rapidamente durante as próximas décadas até que o vento esteja suprindo a maior parte da eletricidade mundial.

Hoje, o número de turbinas eólicas em uso é medido em milhares, mas em breve será medido em milhões, criando uma gigantesca oportunidade industrial.

À medida que a transição de uma economia baseada no carbono para outra baseada no hidrogênio avança, a geração de hidrogênio se tornará uma indústria gigantesca quando o hidrogênio substituir o carvão e o petróleo.

Um imenso mercado evoluirá quando células de combustível substituírem os motores de combustão interna nos automóveis e começarem a gerar energia em prédios.

Para muitos dos 2 bilhões de habitantes de comunidades rurais do Terceiro Mundo, privados de eletricidade, as células solares serão a melhor opção para a eletrificação

Quando as pessoas não agüentarem mais o congestionamento do trânsito e a poluição associada ao automóvel, as cidades dos países industrializados e em desenvolvimento igualmente se voltarão ao transporte leve sobre trilhos para sua mobilidade.

À medida que os esforços para o reflorestamento do planeta ganhem ímpeto e a silvicultura expandir, a cultura arbórea emergirá como uma das principais atividades econômicas.



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gerará outra indústria _ a produção de hidrogênio. Assim que as turbinas eólicas estiverem em uso generalizado, haverá uma grande capacidade ociosa durante a noite, quando cai o consumo de energia. Com essa eletricidade essencialmente grátis, os proprietários de turbinas poderão se voltar para os geradores de hidrogênio, convertendo a energia eólica em hidrogênio, ideal para motores de célula de combustível. Os geradores de hidrogênio começarão a substituir as refinarias de petróleo. As turbinas eólicas substituirão tanto a mina de carvão quanto o poço de petróleo. (Vide Tabela 4-2.) Tanto as turbinas eólicas quanto os geradores de hidrogênio estarão amplamente distribuídos quando os países tirarem proveito dos recursos eólicos locais.

As mudanças na economia mundial de alimentos também serão significativas. (Vide Capítulo 7.) Alguma delas, como a mudança para a piscicultura, já estão em andamento. O subsetor de maior crescimento da economia mundial de alimentos, durante os anos 90, foi a aqüicultura, expandindo-se mais de 11% ao ano. A piscicultura provavelmente continuará a expandir-se devido a sua eficiência em converter grãos em proteína animal.13

Mesmo admitindo um crescimento futuro mais lento da aqüicultura, a produção de peixes provavelmente suplantará a de carne bovina durante esta década. Talvez o mais surpreendente seja a piscicultura vir a superar o pescado oceânico. Realmente, na China _ o maior consumidor mundial de frutos do mar _ a piscicultura já supre dois terços, com o pescado oceânico fornecendo o terço restante.14

Juntamente a esse desenvolvimento vem a necessidade de uma indústria de ração mista, uma análoga àquela que fornece as rações balanceadas utilizadas atualmente na avicultura. Haverá também uma demanda por ecólogos aquáticos, nutricionistas de peixe e veterinários marinhos.

Outro segmento de crescimento futuro é a indústria e assistência técnica de bicicletas. Não poluidoras e parcimoniosas em seu uso do solo, proporcionando o exercício necessário às sociedades sedentárias, sua demanda futura deverá aumentar. Já em 1965, a produção de automóveis e bicicletas estava praticamente equilibrada, mas hoje são fabricadas duas vezes mais bicicletas do que carros anualmente. Entre os países industrializados, o modelo de transporte urbano lançado pela Holanda e Dinamarca, onde as bicicletas se destacam, dá uma idéia do futuro papel da bicicleta em todo o mundo.15


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Tabela 4_2. Exemplos de Indústrias em Ocaso na Eco-Economia

Indústria Descrição


Mineração de carvão

Extração de petróleo

Geração de energia nuclear

Extração de madeira

Manufatura de produtos descartáveis

Indústria automobilística

O declínio de 7% na queima mundial de carvão, desde seu pico em 1996, continuará nos anos futuros.

As projeções baseadas nas reservas declinantes de petróleo indicam que a produção atingirá seu pico e começará a cair nos próximos 5 _ 20 anos. Temores sobre o aquecimento global poderão antecipar o declínio.

Embora o temor público enfoque questões de segurança, são os altos custos que asseguram o declínio dessa indústria.

A acelerada disseminação de selos ecológicos em produtos florestais, provavelmente forçará as madeireiras a se dedicarem à extração sustentável ou sucumbirem

À medida que se intensificam os esforços para o fechamento do ciclo dos materiais, muitos produtos descartáveis sofrerão pesados ônus fiscal ou serão proibidos.

À medida que a população mundial se urbaniza, o conflito entre o automóvel e a cidade intensificará, reduzindo a dependência no automóvel.


À medida que se dissemina o uso da bicicleta, cresce também a procura por bicicletas elétricas. Iguais às bicicletas atuais, exceto pelo minúsculo motor elétrico a bateria que poderá movê-la inteiramente ou servir como auxílio aos mais idosos ou aqueles que habitam locais enladeirados, suas vendas disparadas deverão continuar em ascensão nos anos futuros.

Ainda outra indústria de crescimento está aumentando: a produtividade hídrica. Da mesma forma que o último meio século dedicou-se


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ao aumento da produtividade do solo, o próximo meio século enfocará a elevação da produtividade hídrica. Praticamente todas as sociedades se voltarão para a gestão da água em nível de bacia hidrográfica, a fim de manejar com maior eficiência o suprimento disponível. Tecnologias de irrigação se tornarão mais eficientes. A reciclagem do esgoto urbano se tornará mais comum. Atualmente, a água tende a fluir para dentro e fora das cidades, carregando o lixo com ela. No futuro, a água será utilizada e reutilizada, e nunca despejada. Uma vez que a água não se desgasta, não há limite para o tempo durante o qual pode ser utilizada, contanto que seja purificada antes da reutilização.

Outra indústria que desempenhará um papel de destaque na nova economia e que reduzirá o consumo de energia é a da teleconferência. Cada vez mais, por questões ambientais e economia de tempo, as pessoas "comparecerão" às conferências eletronicamente, em conexões audiovisuais. Essa indústria envolve o desenvolvimento da infraestrutura eletrônica global, como também dosa serviços para viabilizá-la. Um dia, poderemos ter literalmente milhares de empresas organizando conferências eletrônicas.

A reestruturação da economia global criará não apenas novas indústrias, mas também novos empregos _ na realidade, novas profissões e novas especialidades, dentro das profissões. (Vide Tabela 4-3.) Por exemplo, à medida que o vento se transforma numa fonte de energia cada vez mais proeminente, haverá necessidade de milhares de meteorologistas eólicos para analisar sítios eólicos potenciais, monitorar a velocidade dos ventos e selecionar os melhores locais para as fazendas eólicas. Quanto melhores os dados sobre recursos eólicos, mais eficiente se tornará a indústria.

Intimamente ligados a essa nova profissão, estarão os engenheiros eólicos que projetam as turbinas eólicas. Novamente, o tamanho e desenho adequados da turbina poderão variar muito, conforme o local. Será responsabilidade dos engenheiros eólicos adequar os desenhos a regimes específicos de vento, a fim de maximizar a geração de eletricidade.

A arquitetura ambiental é outra profissão em crescimento acelerado. Entre os sinais de uma economia ambientalmente sustentável, estão prédios em harmonia com o meio-ambiente. Arquitetos ambientais desenham prédios eficientes em energia e materiais que maximizam o aquecimento, refrigeração e iluminação naturais.


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Tabela 4_3. Profissões em Expansão numa Eco-Economia


Profissão

Meteorologistas eólicos

Parteiras de planejamento familiar

Silvicultores

Hidrólogos

Engenheiros de reciclagem

Veterinários da aqüicultura

Economistas ecológicos

Geólogos

geotérmicos

Arquitetos ambientais

Mecânicos de bicicleta

Engenheiros de turbinas eólicas

Descrição

Meteorologistas eólicos desempenharão uma função na nova economia energética comparável a dos geólogos de petróleo, na anterior.

Para que a população mundial se estabilize logo, serão necessárias literalmente milhões de parteiras para acompanhamento do planejamento familiar.

O reflorestamento da Terra exigirá orientação profissional sobre que espécies plantar, onde plantar e em qual combinação.

À medida que aumenta a escassez de água, a demanda por hidrólogos para supervisionar o manejo de bacias hidrográficas, mananciais e eficiência hídrica aumentará.

Projetar eletrodomésticos que sejam facilmente desmontados e totalmente reciclados se tornará uma especialidade da engenharia.

Até hoje, os veterinários caracteristicamente se especializaram em animais de grande ou pequeno porte, mas com a piscicultura provavelmente superando a produção de carne bovina antes do final da década, veterinários marinhos estarão em demanda.

Ao se tornar claro que os princípios básicos da ecologia devem ser incorporados ao planejamento econômico e estabelecimento de políticas, aumentará a demanda por economistas capazes de pensar como ecólogos.

Com a probabilidade de extensas áreas do mundo se voltarem à energia geotérmica tanto para eletricidade quanto para aquecimento, crescerá a procura por geólogos geotérmicos.

Os arquitetos estão aprendendo os princípios da ecologia, a fim de incorporá-los aos prédios onde vivem e trabalham.

À medida que o mundo se volta para as bicicletas para transporte e exercício, mecânicos de bicicleta serão necessários para manter a frota em movimento.

Com milhões de turbinas eólicas a serem provavelmente instaladas nas décadas futuras, haverá uma forte demanda mundial por engenheiros de turbinas eólicas.



A Feição da Eco-Economia

Num futuro de escassez hídrica, hidrólogos de bacias hidrográficas estarão em alta. Será sua responsabilidade entender o ciclo hidrológico, incluindo o movimento da água subterrânea, conhecer a profundidade dos aqüíferos e determinar sua produção sustentável. Serão essenciais para o regime de manejo de bacias hidrográficas.

À medida que o mundo se desvia de uma economia de descarte, serão necessários engenheiros para desenharem produtos que possam ser reciclados _ desde automóveis até computadores. Assim que produtos sejam desenhados para serem desmontados simples e rapidamente em peças e materiais componentes, uma ampla reciclagem é relativamente fácil.

As tecnologias utilizadas na reciclagem são às vezes bem diferentes daquelas utilizadas no processamento de matérias-primas virgens. Dentro da indústria siderúrgica dos Estados Unidos, por exemplo, onde quase 60% do aço é produzido com sucata, as tecnologias aplicadas diferem, dependendo do insumo. O aço manufaturado em fornos a arco voltaico com sucata consome muito menos energia do que as fornalhas tradicionais, tipo Siemens-Martin, com ferro-gusa. Será responsabilidade dos engenheiros de reciclagem fecharem o ciclo de materiais, convertendo a economia de fluxo linear em outra de reciclagem abrangente.16

Nos países ricos em energia geotérmica, será responsabilidade dos geólogos geotérmicos identificarem os melhores locais, seja para usinas geradoras ou para exploração direta para aquecimento de prédios. O retreinamento de geólogos de petróleo para dominarem as tecnologias geotérmicas é uma forma de atender o provável aumento da demanda por geólogos geotérmicos.

A fim de que o mundo possa estabilizar a população mais cedo, ao invés de mais tarde, serão necessárias muitas parteiras para o acompanhamento do planejamento familiar em comunidades do Terceiro Mundo. Esse setor de crescimento estará concentrado principalmente nos países em desenvolvimento, onde milhões de mulheres não dispõem de acesso ao planejamento familiar. Os mesmos profissionais de planejamento familiar, que dão aconselhamento em saúde reprodutiva e uso de anticoncepcionais, poderão também desempenhar um papel importante no controle da disseminação do HIV.

Outra necessidade premente, particularmente nos países em desenvolvimento, é de engenheiros sanitários que possam projetar sistemas


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de esgotos não dependentes de água, uma tendência já em andamento em alguns países que sofrem escassez de água. Quando se reconhecer que o uso da água para descarga de resíduos é um uso negligente de um recurso escasso, uma nova classe de engenheiros sanitários estará em grande demanda. Mesmo hoje, é inaceitável utilizar água para escoamento de resíduos, quando ecossistemas marinhos estão sobrecarregados com fluxos de nutrientes. Além da perturbação ecológica de um método hídrico de destinação final do lixo, também há prioridades muito maiores no uso da água, como para beber, higiene e irrigação.

Ainda outra profissão com possibilidade de expansão acelerada na agricultura, à medida que as áreas produtivas escasseiam, é a de agrônomos especializados em cultivo múltiplo e intercultivo. Isso requer qualificação tanto para a seleção de culturas que possam conviver juntas numa rotatividade rígida em vários locais, como para práticas agrícolas que facilitem o cultivo múltiplo.

A Maior Oportunidade de Investimento da História

A reestruturação da economia global para que o avanço econômico seja sustentado representa a maior oportunidade de investimento da história. Como observado no Capítulo 1, a mudança conceitual é comparável àquela da Revolução Copérnica no Século XVI. Em escala, a Revolução Ambiental é comparável às Revoluções Agrícola e Industrial, que a precederam.

A Revolução Agrícola envolveu a reestruturação da economia alimentar, saindo de um estilo de vida nômade, baseado na caça e coleta, para um estilo de vida assentado, baseado no cultivo do solo. Embora a agricultura tenha iniciado como um complemento da caça e da coleta, veio a substituí-los totalmente. A Revolução Agrícola implicou o desmatamento de um décimo da superfície terrestre coberto por capim ou árvores, para que fosse arado. Contrariamente à cultura caçador/colhedor, que pouco efeito causou à terra, essa nova cultura agrícola transformou literalmente a superfície do planeta.17

A Revolução Industrial está em andamento há dois séculos, embora em alguns países ainda esteja em seus primórdios. Em sua base, havia uma mudança das fontes de energia _ da madeira ao combustível fóssil _ uma mudança que abriu caminho para uma expansão maciça da atividade econômica. Realmente, ela se distingue pelo domínio de quantidades gigantescas de energia fóssil para objetivos econômicos. Em


A Feição da Eco-Economia

bora a Revolução Agrícola tenha transformado a superfície da Terra, a Revolução Industrial está transformando a atmosfera do planeta.

A produtividade adicional que a Revolução Industrial viabilizou desencadeou imensas energias criativas. Também criou novos estilos de vida e a maior era ambientalmente destrutiva da história da humanidade, colocando o mundo firmemente no caminho do declínio econômico.

A Revolução Ambiental se assemelha à Revolução Industrial por ser, cada uma, dependente da mudança para uma nova fonte energética. E, igualmente às duas revoluções anteriores, a Revolução Ambiental afetará todo o planeta.

Há diferenças de escala, tempo e origem entre as três revoluções. Contrariamente às outras duas, a Revolução Ambiental deverá ser comprimida em algumas décadas. As outras revoluções foram movidas por novas descobertas, por avanços tecnológicos, enquanto esta revolução está sendo movida principalmente por nosso instinto de sobrevivência.

Como observado anteriormente, nunca houve uma oportunidade de investimento como essa. O volume que o mundo gasta atualmente, a cada ano, em petróleo _ a fonte principal de energia _ dá uma idéia de quanto poderia gastar em energia na eco-economia. Em 2000, o mundo consumiu quase 28 bilhões de barris de petróleo, cerca de 76 milhões de barris por dia. A US$ 27 o barril, isto representa US$ 756 bilhões anuais. Quantas turbinas eólicas seriam necessárias para gerar tamanha energia? Quantos telhados solares? Quantos poços geotérmicos?18

Uma grande diferença entre os investimentos em combustíveis fósseis e outros em energia solar, células solares e energia geotérmica é que estes últimos fornecerão energia perpetuamente. Esses "poços" não secarão. Caso o dinheiro gasto em petróleo em um ano fosse investido em turbinas eólicas, a eletricidade gerada seria suficiente para atender um quinto das necessidades mundiais.19

Investimentos em infra-estrutura para a nova economia energética, que viriam a ser necessários à medida que os combustíveis fósseis fossem exauridos, serão obviamente gigantescos. Incluirão linhas de transmissão conectando as fazendas eólicas aos consumidores, e dutos ligando as fontes de abastecimento de hidrogênio aos usuários finais. A infra-estrutura existente _ linhas de transmissão de eletricidade e gasodutos _ poderá, em grande parte, ser aproveitada na nova econo


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mia energética. A rede local de distribuição de gasodutos em várias cidades poderá facilmente ser convertida para o hidrogênio.

Nos países em desenvolvimento, as novas fontes de energia prometem reduzir a dependência do petróleo importado, liberando capital para investimento em fontes internas de energia. Embora poucos países possuam poços petrolíferos, todos têm energia eólica e solar. Em termos de expansão eco-econômica e geração de empregos, essas novas tecnologias energéticas são uma dádiva divina.

Os investimentos em eficiência energética com certeza também aumentarão rápido, simplesmente por serem mais rentáveis. Praticamente em todos os países, sejam industrializados ou em desenvolvimento, a energia economizada é a fonte mais barata de nova energia. Substituir lâmpadas incandescentes ineficientes por lâmpadas fluorescentes compactas, altamente eficientes, proporciona uma taxa de retorno que as bolsas mundiais não podem igualar.

Há também oportunidades abundantes de investimento na economia alimentar. Provavelmente, a demanda mundial por frutos do mar, por exemplo, deverá aumentar no mínimo pela metade, durante os próximos 50 anos, e talvez muito mais. Se assim for, a produção da piscicultura _ hoje, 31 milhões de toneladas anuais _ certamente terá que triplicar, assim como seus investimentos. Embora o crescimento da aqüicultura deva desacelerar dos 11% anuais da última década, mesmo assim deverá ser robusto, oferecendo uma oportunidade promissora para investimentos futuros.20

Uma situação semelhante ocorre na silvicultura. Atualmente, cobre cerca de 113 milhões de hectares. Uma ampliação de pelo menos 50%, acompanhada de um aumento continuado de produtividade, provavelmente seja necessária tanto para atender à demanda futura quanto para eliminar uma das pressões que estão reduzindo as florestas. Aqui também existe uma tremenda oportunidade para investimento.21

Nenhum segmento da economia global ficará intocado pela Revolução Ambiental. Nessa nova economia, algumas empresas serão vitoriosas e outras perdedoras. Aquelas que previrem a eco-economia emergente e se prepararem para ela sairão vitoriosas. Aquelas que se cingirem ao passado correrão o risco de se tornar parte dele.


A Feição da Eco-Economia

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A Criação de uma Economia

Solar e de Hidrogênio

Em maio de 2001, a Casa Branca de Bush divulgou, com grande alarde, um programa vintenal para a economia energética dos Estados Unidos. O programa desapontou muitas pessoas por ter ignorado em grande parte o imenso potencial para a melhoria da eficiência energética. Também desconsiderou o imenso potencial da energia eólica, que provavelmente agregaria mais a capacidade geradora dos Estados Unidos nos próximos 20 anos do que o carvão. O plano ilustrou os problemas que alguns governos enfrentam no planejamento de uma economia energética compatível com o ecossistema da Terra.1

Elaborado sob a direção do Vice-presidente Dick Cheney, o programa governamental enfocou a produção crescente dos combustíveis fósseis, algo mais adequado para o início do Século XX do que para o início do Século XXI. Enfatizou o papel do carvão, mas os autores aparentemente desconheciam que o consumo mundial de carvão atingiu seu pico em 1996, tendo declinado desde então cerca de 7%, à medida que outros países se afastaram desse combustível. Até a China, que rivaliza com os Estados Unidos como nação consumidora de carvão, reduziu seu consumo em cerca de 14% desde 1996.2

O futuro energético que antevejo é muito diferente daquele traça


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do pelo programa energético de Bush. Por exemplo, o programa observou que 2% da geração de eletricidade nos Estados Unidos, que hoje provém de fontes renováveis, com exceção da hidroenergia, aumentará para 2,8% em 2020. Porém, meses antes da divulgação do programa energético de Bush, a AWEA [Associação Americana de Energia Eólica] projetava um aumento estonteante de 60% na capacidade de geração eólica dos Estados Unidos em 2001. Mundialmente, o uso apenas da energia eólica quase quadruplicou nos últimos cinco anos, uma taxa de crescimento comparável apenas com o setor de informática.3

Embora o programa energético de Bush não demonstre, a economia energética mundial está no limiar de uma grande transformação. Historicamente, o Século XX foi o século do combustível fóssil. Ao carvão, já consolidado como uma das principais fontes de combustível em 1900, juntou-se o petróleo, quando o automóvel entrou em cena. Entretanto, só em 1967 o petróleo finalmente veio a substituir o carvão como a base da economia energética mundial. O gás natural ganhou popularidade durante as últimas décadas do século, quando aumentaram os temores sobre poluição do ar urbano e mudança climática global, ultrapassando o carvão em 1999.4

O início do novo século marcou o ocaso da era do combustível fóssil. As últimas décadas mostraram uma mudança constante do carvão, o combustível fóssil mais poluente e perturbador do clima, para o petróleo, ligeiramente menos perturbador do meio ambiente , e em seguida para o gás natural, o mais limpo e menos perturbador do clima dentre os três. É esse desejo por combustíveis limpos, benéficos ao clima _ e não a exaustão de combustíveis fósseis _ que está movendo a transição global para a era solar e de hidrogênio.5

O uso do carvão atingiu seu pico em 1996, enquanto o petróleo deverá atingir seu pico nesta década ou na próxima. O consumo de gás natural continuará aumentando um pouco mais, devido às suas reservas abundantes e à popularidade como um combustível de queima limpa, eficiente em carbono. Sendo um gás, também é o combustível ideal para a transição da economia energética baseada no carbono para outra baseada no hidrogênio. Se continuar crescendo a uma taxa em torno de 2% ao ano, como vem ocorrendo na última década, o consumo de gás natural exigirá a construção contínua de gasodutos e instalações de armazenagem _ uma infra-estrutura que um dia poderá ser


A Criação de uma Economia Solar e de Hidrogênio

facilmente adaptada ao hidrogênio.6

Até mesmo as empresas de petróleo estão começando a perceber que já chegou a hora de uma transição energética. Após anos negando qualquer ligação entre a queima de combustíveis fósseis e a mudança climática, John Browne, Diretor-Presidente da British Petroleum (BP), anunciou sua nova posição num discurso histórico na Universidade de Stanford, em maio de 1997: "Meu colegas e eu hoje reconhecemos a seriedade da ameaça do aquecimento global. A hora de considerar as dimensões políticas da mudança climática não é quando a relação entre os gases de estufa e a mudança climática seja comprovada, e sim quando essa possibilidade não possa mais ser ignorada e seja levada a sério pela sociedade da qual fazemos parte. Nós, na BP, chegamos a esse ponto." Em fevereiro de 1999, o Diretor-Presidente da ARCO Michael Bowlin, declarou numa conferência sobre energia em Houston, Texas, que já se vislumbrava o começo do fim da era do petróleo. Ele prosseguiu discutindo a necessidade de mudar de uma economia energética baseada no carbono para uma economia baseada no hidrogênio.7

Seth Dunn escreve na revista World Watch que um consórcio de corporações, liderado pela Shell Hydrogen e DaimlerChrysler, chegou a um acordo em 1999 com o Governo da Islândia para tornar esse país a primeira economia mundial movida a hidrogênio. A Shell está interessada porque deseja dar início ao desenvolvimento de sua capacidade de produção e distribuição de hidrogênio, e a DaimlerChrysler espera lançar no mercado o primeiro automóvel movido a célula de combustível. A Shell pretende inaugurar sua primeira cadeia de postos de hidrogênio na Islândia.8

Os sinais da reestruturação da economia energética global são evidentes. Os acontecimentos se desenvolvem muito mais rapidamente do que se esperava até poucos anos atrás, provocados em parte pelas evidências cada vez maiores que a Terra está de fato se aquecendo e que a queima de combustíveis fósseis é a causa.9

A Base da Eficiência Energética

Quando o novo programa energético de Bush foi anunciado, muitos se surpreenderam com a ênfase, quase exclusiva, na expansão da produção, com pouca atenção sendo dada inicialmente ao potencial do uso mais eficiente da energia. Em resposta, a Alliance to Save Energy,


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de Washington, divulgou uma contra-proposta no sentido de eliminar a necessidade de se construir grande parte das 1.300 usinas propostas. Também seria muito menos dispendioso e menos poluente.10

Bill Prindle, Diretor do Programa de construção e serviços públicos da Alliance, assinalou que a adoção de normas de eficiência para eletrodomésticos, aceitas tanto pelo Governo Clinton quanto pelo governo Bush, eliminaria a necessidade de 127 usinas elétricas até 2020. Se a norma mais rígida de eficiência para aparelhos domésticos de ar-condicionado, aprovada pelo Governo Clinton, fosse adotada, eliminaria a necessidade de outras 43 usinas. Normas mais rigorosas para sistemas comerciais de ar-condicionado tornariam 50 usinas desnecessárias. Um aumento de eficiência energética em novas construções durante os próximos 20 anos, através de créditos fiscais, economizaria outras 170 usinas. E a melhoria da eficiência energética dos prédios existentes, incluindo condicionadores de ar, iluminação comercial e refrigeração comercial, eliminaria 210 usinas.11

A lista de Prindle continua, mas só essas cinco medidas eliminariam a necessidade de 600 usinas elétricas. Os custos das medidas dissuasórios dessas usinas seriam bem menores do que o custo de construção. Todas essas medidas economizadoras de eletricidade são economicamente viáveis, com algumas proporcionando taxas de retorno de 30%.12

Peter Coy, redator de economia da Business Week, assinala que uma tarifa de eletricidade baseada no hora do uso, aumentando os preços durante o horário de pico e reduzindo-os durante a noite, também diminuiria muito a capacidade geradora necessária. Embora ele não tivesse calculado a quantidade de usinas que seriam desnecessárias, sem dúvida eliminaria a necessidade de outro grande conjunto.13

Amory Lovins, do Rocky Mountain Institute, ganhou reputação internacional vendendo a idéia de que é mais barato economizar energia do que comprá-la. Em resposta às suas convincentes apresentações sobre o fato de os retornos anuais nos investimentos em melhoria de eficiência se situarem freqüentemente em torno de 30%, ou mais, muitas empresas investiram maciçamente na redução do seu consumo de energia. Mas, mesmo com os ganhos de eficiência desde o aumento dos preços do petróleo nos anos 70, Lovins acredita que as corporações americanas ainda poderiam reduzir suas contas de energia pela metade e, ao mesmo tempo, ganhar dinheiro.14

O exemplo da Europa é uma prova clara do potencial latente da


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economia de energia nos Estados Unidos. Os europeus consomem rotineiramente 30% menos energia por unidade de produto nacional bruto do que os americanos. Os Estados Unidos poderiam facilmente cumprir as exigências para sua redução do uso do carbono até 2010, nos termos do Protocolo de Kyoto, simplesmente se ajustando aos níveis europeus de eficiência, que ainda estão bem abaixo dos níveis de eficiência possíveis com o uso de tecnologias de última geração.15

Embora a Europa esteja muito adiante dos Estados Unidos em eficiência energética, os países continuam a avançar individualmente. No início de agosto de 2001, a Grã-Bretanha lançou uma nova política fiscal para encorajar investimentos em equipamentos economizadores de energia. Os gastos de capital podem agora ser deduzidos do lucro tributável caso os equipamentos atendam a normas estabelecidas de eficiência energética. Entre as categorias de equipamentos elegíveis para isenção fiscal estão co-geração, caldeiras, motores elétricos, iluminação e refrigeração. Esse programa baseou-se num sistema semelhante, já operando com sucesso na Holanda.16

A China está hoje determinando o ritmo do aumento da eficiência energética e reduzindo as emissões de carbono. Nos últimos quatro anos, a China aparentemente reduziu suas emissões de carbono, mesmo enquanto sua economia crescia 7% ao ano, através da eliminação gradativa de subsídios ao carvão, estabelecimento de preços de mercado para combustíveis e novas iniciativas de conservação de energia. Por exemplo, a China em breve dará início à produção de refrigeradores de alta eficiência que consumirão apenas metade da eletricidade dos modelos convencionais.17

Pode-se perceber parte do potencial mundial de economia de energia com a substituição das lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes compactas (LFCs). Estas consomem menos de um quarto da eletricidade e, embora sejam mais caras que as incandescentes, duram 13 vezes mais. Ao longo de 3 anos, utilizando-as 4 horas por dia, a energia mais a lâmpada custam US$ 19,06 para uma fluorescente compacta e US$ 39,54 para uma incandescente. Mesmo excluindo o custo da mão-de-obra na substituição da lâmpada incandescente seis vezes durante os três anos, o retorno no investimento de uma lâmpada fluorescente compacta ainda se situa próximo a 30% ao ano.18

Viajando de país a país lançando livros e realizando conferências, verifico rotineiramente as lâmpadas nos apartamentos dos hotéis.


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Algumas cadeias utilizam LFCs quase que exclusivamente. Outras utilizam poucas ou nenhuma. O potencial mundial para investimento em lâmpadas fluorescentes compactas e a correspondente desativação de usinas elétricas não é apenas imenso, mas também rentável.

Outra área com enorme potencial para a melhoria de eficiência é o combustível automotivo. Nos Estados Unidos, que possuem uma das mais ineficientes frotas de veículos do mundo, os novos modelos 2001 fazem cerca de 8,7 km/litro, inferior ao pico de 9,3 km/litro de 1987. Assim, a eficiência do combustível caiu 6% quando, levando-se em conta os avanços da tecnologia e a crescente preocupação com o aquecimento global, deveria estar aumentando. Felizmente, neste momento, o Congresso está mostrando sinais de que poderá assumir a liderança e estabelecer novos padrões de eficiência para as próximas décadas.19

A eficiência do combustível entre os modelos 2001 vendidos nos Estados Unidos é muito variada, desde o híbrido elétrico Insight da Honda, que faz 24 km/litro na estrada e 21,5 km/litro na cidade, até uma Ferrari, com 4,5 km/litro na estrada e menos de 3 km/litro na cidade. Ligeiramente acima da Ferrari na classificação de consumo, estão vários dos grandes veículos utilitários esportivos. Os carros mais eficientes no mercado, como o Insight da Honda e o Prius da Toyota, obtêm facilmente o dobro da eficiência de combustível da frota dos Estados Unidos, ressaltando o gigantesco potencial para economia de combustível.20

Independente da fonte de energia, faz sentido tanto econômico quanto ambiental assegurar que a energia seja utilizada eficientemente. No mínimo, o mundo deveria estar realizando todos os investimentos em eficiência energética que fossem rentáveis, aos preços correntes. Isso, por si só, reduziria o consumo mundial de energia a um volume considerável.

Às vezes, uma medida simples pode fazer uma grande diferença. Em Bancoque, a prefeitura decidiu que às 9 horas de uma determinada noite todas as principais redes de televisão, conjuntamente, exibiriam um grande medidor indicando o consumo atual de eletricidade da cidade. Logo que o medidor apareceu, os telespectadores foram solicitados a desligar as lâmpadas e aparelhos desnecessários. Enquanto olhavam a tela, a contagem do medidor caiu, reduzindo o consumo em 735 megawatts, o suficiente para desligar duas usinas a carvão de porte