Como uma das principais vozes ativas mundiais sobre questões ambientais e desenvolvimentistas, o WWI está fortemente empenhado nos objetivos da Rio+10. Utilizará sua capacidade de reunir informações e atrair a atenção da mídia para ajudar a fornecer aos tomadores de decisões, jornalistas, políticos, professores, governantes, líderes empresariais e o público em geral, informações atualizadas sobre as questões-chave que estarão sendo discutidas, como também sobre todas as oportunidades existentes para o caminho a frente.
Neste
sentido, o WWI está enfocando a agenda da
Rio+10 como tema principal da edição 2002, sua publicação líder, Estado
do Mundo. Os pesquisadores analisam o avanço sócio-econômico-ambiental
desde 1992, destacando tanto as mudanças positivas que ocorreram na década e os
obstáculos contínuos para a conquista de um mundo mais sustentável. O livro
enfoca ações que podem viabilizar a mudança ambiental nos anos futuros.
No
Brasil, o WWI é associado à UMA-Universidade Livre da Mata Atlântica,
responsável pela publicação e divulgação dos seus trabalhos no país. A WWI-UMA, é
uma rede de informações em português sobre desenvolvimento
econológico (sócio-econômico-ecológico integrado), no Brasil e no
mundo, enviada diretamente para os e-mails dos seus membros (inscrições aqui).
O Que é Rio+10?
Em setembro de 2002, as Nações Unidas realizarão a Cúpula Mundial sobre
Desenvolvimento Sustentável (também conhecida como Rio+10), em Joanesburgo, na
África do Sul. Será um encontro de alto nível reunindo líderes mundiais,
cidadãos engajados, agências das Nações Unidas, instituições financeiras
multilaterais e outros grandes atores, para avaliar a mudança global desde a
histórica Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento
(também conhecida como a Cúpula da Terra, ou Rio-92).
A
Rio-92, realizada entre 3 e 14 de junho daquele ano, no Rio de Janeiro, reuniu
legisladores, diplomatas, cientistas, a mídia, e representantes de organizações
não-governamentais (ONGs) de 179 países, num esforço maciço para reconciliar as
interações entre o desenvolvimento humano e o meio ambiente. O evento foi
realizado por ocasião do 20o aniversário da Conferência de Estocolmo
sobre o Meio Ambiente Humano (1972), a primeira conferência mundial que tratou
da natureza, tanto global quanto transfronteira, da degradação e poluição
ambientais.
A
agenda do Rio enfocou a procura de meios de cooperação entre as nações para
lidar com problemas ambientais globais como poluição, mudança climática,
destruição da camada de ozônio, uso e gestão dos recursos marinhos e de água
doce, desmatamento, desertificação e degradação do solo, resíduos perigosos, e
a perda da diversidade biológica. A conferência culminou na elaboração da
Agenda 21, um programa pioneiro de ação internacional sobre questões ambientais
e desenvolvimentistas, voltado à cooperação internacional e ao desenvolvimento
de políticas para o Século XXI. Suas recomendações incluíram novas formas de
educação, preservação de recursos naturais e participação no planejamento de
uma economia sustentável.
Rio-92
foi o primeiro encontro internacional de importância que analisou conjuntamente
as questões ambientais e desenvolvimentistas. Dez anos depois, uma avaliação do
Estado do Mundo mostra que nenhuma destas áreas se saiu bem. O meio ambiente
continua a ser desvalorizado e cada vez mais degradado, apesar de alguns
avanços encorajadores. E após uma década de prosperidade em grande parte do
mundo, o desenvolvimento está cada vez mais distante para muitas nações pobres
– e de certa forma pode estar se decompondo em nações mais ricas. Esta visão
geral conclui que será necessário um novo conceito de desenvolvimento– um que
seja criado em torno da saúde ambiental e do avanço social para todos os povos.
Com
um Governo Bush nos Estados Unidos e ministros europeus novamente assumindo
posições antagônicas quanto ao aquecimento global, será que Joanesburgo 2002
repetirá Rio-92? O mundo, porém, não ficou parado na década desde a assinatura
e ratificação da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática.
Pelo contrário, a ciência, economia, comércio e política da questão climática
evoluíram de tal forma que poderão ajudar a desenvolver a agenda. Este capítulo
analisa a primeira década do tratado, examina suas “dores de crescimento” sob o
Protocolo de Kyoto e explora os obstáculos potenciais para seu desenvolvimento
futuro.
Os
delegados da Rio-92 identificaram três objetivos amplos para os sistemas
alimentícios e agrícolas: assegurar um suprimento alimentício adequado e
accessível, prover meios de vida estáveis e rentáveis para as comunidades
agrícolas e rurais, e construir uma saúde ecológica. Em geral, nossos sistemas
alimentares avançaram além destas múltiplas funções na última década. Porém os
agricultores e cientistas agrícolas, em muitas partes do mundo, estão começando
a perceber como reestruturar a forma de produzirmos os alimentos para melhor
atender às funções múltiplas delineadas no Rio, enfocando menos os ajustamentos
químicos e tecnológicos e mais as vantagens dos processos ecológicos que
ocorrem no campo.
A recém assinada
Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) assinala
uma das conquistas-chave da década, desde a Rio-92. Encorajada pelo positivismo
da Convenção de Estocolmo e tratados associados cobrindo os temas do uso de
produtos tóxicos, do comércio e dos resíduos, a comunidade global hoje enfrenta
um desafio duplo: reformar um gigantesco setor da economia industrial e ao
mesmo tempo lidar com as imensas quantidades de materiais tóxicos já produzidos
e existentes, seja como lixo ou como produtos circulando na economia. Serão
necessárias formas mais seguras de realizar negócios e atender às necessidades
humanas com materiais, produtos e processos que reduzam, e não aumentem, o ônus
tóxico global.
Capítulo
5 - Redirecionando o Turismo - Lisa Mastny
À medida que o Século XXI
se desenvolve, as pessoas cruzam o planeta em ritmo sem precedentes, buscando
novas experiências, “redutos” remotos, ou simplesmente locais ensolarados para
relaxar e reenergizar. De certa forma, viagens e turismo se tornaram a maior
indústria mundial, gerando receitas significativas e milhões de empregos em
muitos países, particularmente no mundo em desenvolvimento. Apesar do seu
potencial, entretanto, o turismo também tem seu lado negativo – com impactos na
cultura, meio ambiente e economias locais. Este capítulo analisa algumas das
vantagens e desvantagens do turismo, como também algumas das formas mais
excitantes pelas quais governos, o setor turístico e os próprios viajantes,
estão ajudando a direcionar o turismo para um futuro mais sustentável.
Capítulo
6 Repensando a Política Populacional - Bob Engelman e Brian Halweil
O acelerado crescimento
populacional é freqüentemente considerado como a raiz de muitos problemas
ambientais e sociais, desde o uso predatório dos recursos até a pobreza
persistente. Todavia, o crescimento populacional contínuo por todo o mundo em
desenvolvimento, poderia ser visto de forma mais precisa como sintomático de
problemas mais profundos, inclusive a falta de acesso a tratamento da saúde e
planejamento familiar, discriminação de gênero e pobreza persistente. Quando
mais pessoas do que em qualquer outra época da história da humanidade entram em
idade reprodutiva, torna-se essencial a redefinição de uma política
populacional como empreendimento do desenvolvimento social.
Capítulo
7 Debelando as Lutas por Recursos - Michael Renner
Ao invés de incrementar
o desenvolvimento sustentável, a riqueza de recursos naturais freqüentemente
provocou ou facilitou a ocorrência de conflitos violentos nos países em
desenvolvimento. Nos últimos anos, a comunidade internacional esforçou-se para
lidar com o desafio dos “diamantes de guerra” em Angola, República Democrática
do Congo e Serra Leoa. Outros recursos como petróleo, madeira, ouro, cobre,
café, etc. também foram utilizados para comprar armas, fomentar guerras civis e
financiar a corrupção. A extração de recursos freqüentemente causou efeitos
ambientais e sociais danosos a populações locais gerando, às vezes, atritos em
larga escala que levaram à violência. Este capítulo descreve a experiência com
as lutas em disputa de recursos durante a última década e recomenda políticas
para evitá-los.
Capítulo
8 Redefinindo a Governança Global - Hilary French
Rio-92 determinou
vários acontecimentos na governança internacional, incluindo novos tratados
sobre mudança climática e diversidade biológica, criação da Comissão das Nações
Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, e seções da Agenda 21 dedicadas a
questões mais amplas de reforma institucional, financiamento e participação
pública. Mas, alguns anos depois foi criada a Organização Mundial do Comércio
baseada numa visão muito diferente da direção futura da economia global. Este
capítulo analisará o histórico das reformas da governança ambiental, acordadas
no Rio, na reversão do declínio ecológico, e descreverá como a Cúpula Mundial
sobre Desenvolvimento Sustentável poderá ser utilizada para impulsionar
iniciativas que tornarão mais eficaz a governança global em prol do
desenvolvimento sustentável.
Apresentação – Fernando
Henrique Cardoso