
Adquira aqui
Sumário dos Capítulos
Capítulo
1: Uma História do Nosso Futuro, Chris
Bright
Os desafios ambientais e sociais
que enfrentamos hoje – de população à poluição
até declínio ecológico – são gigantescos,
porém superáveis. Como a história demonstra, as
pessoas são capazes de realizar mudanças fundamentais
para melhoria de vida.
Um obstáculo para mudanças é o fato das avaliações
de dano apresentarem, freqüentemente, um ar de irrealidade, sem
uma relação muito óbvia com nosso modo costumeiro
de vida. Grande parte da degradação ambiental não
pode ser vista. Grandes economias tendem a separar os maus efeitos do
comportamento, do comportamento propriamente dito. Poucos de nós
jamais se defrontaram com lixo tóxico, degradação
do solo ou com a extração insustentável de minerais
e madeira que sustentam nossos padrões coletivos de consumo.
Todavia, não é tão difícil assim visualizar
os caminhos que a reforma terá que seguir. Por exemplo, na economia
energética, o caminho para reforma se distancia dos combustíveis
fósseis e se dirige a fontes renováveis de energia; e
na produção de materiais, se distancia da dependência
primária da mineração, voltando-se mais para a
reciclagem.
Apesar da necessidade óbvia de mudança e apesar da nossa
óbvia competência técnica, ainda assim pode ser
difícil acreditar que mudanças reais e fundamentais sejam
possíveis. Mesmo assim, tais mudanças ocorrem de fato,
ainda que seja difícil reconhecê-las por serem aceitas
como naturais. Por exemplo, quem hoje se lembra da campanha para erradicação
da varíola?
Capítulo
2:
Observando o Desaparecimento das Aves,
Howard
Youth
Cientistas proeminentes consideram
que o mundo se encontra em meio a maior onda de extinção
de animais desde o desaparecimento dos dinossauros, 65 milhões
de anos atrás. Este fenômeno está claramente refletido
na extinção de aves, que hoje ultrapassa 50 vezes a taxa
natural de perda. Ao longo dos últimos 500 anos, 128 espécies
avícolas desapareceram, com 103 delas perdidas desde 1800.
Esses desaparecimentos assinalam não apenas a perda de espécies
singulares, mas também o desordenamento de delicados equilíbrios
naturais. Além de proporcionar inestimáveis bens e serviços
com seus habitats, as aves também fornecem indicações
valiosas sobre mudanças ambientais. Seus declínios populacionais
freqüentemente refletem a degradação do meio ambiente.
Uma gama de fenômenos acelera as ameaças e extinções
de espécies avícolas: perda de habitat, desastres provocados
pelo homem, doenças, disseminação de espécies
vegetais e animais exóticas, caça, comércio ilegal,
pesticidas, linhas de transmissão, arranha-céus e mudança
de temperatura.
A proteção à biodiversidade deve figurar no topo
das prioridades desenvolvimentistas, como habitação, saneamento
e abastecimento de água, como parte de uma estratégia
de uso sustentável do solo. Ademais, deve ser incluída,
de forma compatível, no planejamento rural, suburbano e urbano
de melhoria das condições de vida das populações
pobres mundiais e, ao mesmo tempo, tornar nossas cidades e indústrias
mais seguras para todos os seres vivos. Só assim o futuro das
9.800 espécies de aves mundiais estaria assegurado.
Capítulo
3: Criando um Elo entre População, Mulheres e
Biodiversidade,
Mia
MacDonald / Danielle Nierenberg
A interação entre
os papéis do crescimento populacional, perda de biodiversidade
e questões de gênero é complexa. Mas, no seu cerne,
a desigualdade de gênero tende a exacerbar o crescimento populacional,
e os aumentos populacionais tendem a pressionar o meio ambiente natural,
inclusive os recursos biológicos.
Ao longo da última década, vários acordos globais
reconheceram a necessidade de incluir as realidades populacionais no
planejamento do desenvolvimento sustentável. Esses acordos também
assinalaram o papel central que a melhoria da situação
das mulheres desempenha na redução da fertilidade e garantia
de manejo seguro dos recursos naturais.
Todavia, avanços significativos em direção às
metas estabelecidas nessas conferências têm sido lentos,
devido a deficiências no provimento de recursos compromissados
ou em vontade política. No mundo em desenvolvimento, as mulheres
freqüentemente são as primeiras a sentir os efeitos da degradação
ambiental, uma vez que são elas que dependem das árvores,
capins, água e uma variedade de plantas para atender as necessidades
domésticas diárias..
A fim de evitar choques futuros entre população, consumo
e biodiversidade, será necessária uma ação
rápida e segura em várias áreas, e em nível
de políticas e programas. Estas incluem objetivar áreas
de alta biodiversidade para melhorias em larga escala em saúde
reprodutiva, educação, e direitos e capacidade das mulheres
participarem no manejo dos recursos naturais. Será também
importante encorajar tomadores de decisão e gestores de programas
para um trabalho em setores distintos como saúde e meio ambiente,
desenvolvimento de políticas nacionais e programas de informação
pública, dirigidos a um melhor alinhamento de padrões
de consumo e conservação da biodiversidade. Inovações
de políticas, também, poderão sustentar o aprimoramento
de programas existentes, a fim de maximizar seu alcance e impacto.
Capítulo
4: Combate à Malária,
Anne
Platt McGinn
A malária, um dos mais
antigos flagelos da humanidade, está retornando com toda força,
chegando a matar 7.000 pessoas por dia (mais do que a AIDS) –
principalmente crianças na África sub-saariana. A malária
se tornou resistente à maioria dos medicamentos, tornando o tratamento
muito mais complicado e dispendioso. Pobreza, guerra e distúrbios
civis dificultam a ação preventiva e de tratamento por
parte de governos. E as pessoas não se valem dos meios seguros,
eficazes e acessíveis de controlar os mosquitos portadores da
doença.
Controlar essa doença exigirá estratégias criativas
e muito mais recursos do que estão disponívies atualmente.
(A malária é uma doença de país pobre e,
assim, não é pesquisada a fundo: entre 1979 e 1999, apenas
quatro dos 1.393 novos medicamentos desenvolvidos mundialmente eram
contra a malária.) Apesar da eliminação gradativa,
quase global, do DDT, este inseticida continua sendo um instrumento
importante para o controle da malária nas epidemias de partes
da África sub-saariana.
Nas linhas de frente da África, os governos estão reduzindo
a incidência da malária, ajudando as pessoas a adquirirem
mosquiteiros tratados com inseticidas menos tóxicos que o DDT.
Dormir sob um mosquiteiro reduz radicalmente o número de picadas
contaminadoras do mosquito. O governo mexicano implantou um programa
sofisticado contra a malária, combinando envolvimento comunitário,
prevenção ampla, tratamentos ajustados às condições
locais e o uso inicial da opção menos tóxica. Através
de programas como o Fundo Global das Nações Unidas para
o Combate a AIDS, Tuberculose e Malária, o mundo desenvolvido
começou a aumentar o volume da ajuda financeira.
Capítulo
5: Traçando um Novo Futuro Energético,
Janet
Sawin
As tecnologias de energia renovável
têm o potencial de atender muitas vezes à demanda global
de energia, já estando hoje pronta para uso em larga escala.
A transição do mix atual de combustíveis fósseis,
energia nuclear e hídrica, para renováveis irá
reduzir significativamente as ameaças que as fontes atuais de
energia representam para o meio ambiente, saúde e bem-estar públicos,
e a estabilidade política internacional.
A indústria do combustível fóssil e os governos
da maioria das nações produtoras de petróleo, como
também os grandes consumidores de combustíveis fósseis
como os Estados Unidos, há muito tempo vêm argumentando
que a energia renovável não é uma alternativa confiável.
Porém, é muito difícil alegar que algo é
impossível depois de ter ocorrido.
Da Alemanha à China rural, a energia renovável, especialmente
eólica e solar (fotovoltáica), atingiu a maioridade. Após
mais de uma década de crescimento de dois dígitos, a energia
renovável é hoje um negócio multibilionário
global. A energia eólica lidera em muitas nações,
gerando mais de 20% da demanda de eletricidade em algumas regiões
e países, e é competitiva frente a muitas tecnologias
convencionais de energia. As células solares já são
a opção mais acessível para obtenção
de serviços modernos de energia para centenas de milhões
de pessoas nos países em desenvolvimento.
Capítulo
6: Livrando-se da Dependência da Mineração,
Payal
Sampat
Se um contador analisasse o custo/benefício
da extração de minerais do solo, com seu processamento
e refino, o balanço revelaria uma indústria que consome
quase 10 porcento da energia mundial, despeja quase metade de todas
as emissões tóxicas industriais de alguns países,
e ameaça quase 40 porcento das áreas mundiais de floresta
inexplorada. A mineração também é a ocupação
mais letal do mundo: em média, 40 mineiros morrem em acidentes
do trabalho diariamente, e muitos mais são acidentados.
Hoje, os minerais são extraídos e consumidos em quantidades
gigantescas: em 1999, cerca de 9,6 bilhões de toneladas de minerais
comercializáveis foram escavadas da Terra, quase o dobro de 1970.
O volume de rejeitos gerados para a extração desses minerais
é ainda mais assustador. Em média, a produção
de uma única aliança, por exemplo, gera aproximadamente
3 toneladas de rejeitos numa mina.
Felizmente o mundo não precisa obter minerais utilizando tanta
energia e gerando tanta poluição. Através de um
melhor planejamento de cidades, transportes, moradias e produtos, as
sociedades podem buscar formas de uso do estoque existente de minerais,
com muito mais eficiência – e, em geral, em menor quantidade
– reduzindo dramaticamente a necessidade de extrair minérios
do subsolo.
Os metais, por exemplo, são eminentemente recicláveis.
Latas usadas de cobre ou alumínio podem ser recuperados no mesmo
volume de metal com muito pouco complemento de metal novo. Economiza-se
95% da energia para produzir alumínio de materiais reciclados,
do que do minério de bauxita. A reciclagem do cobre consome cinco
a sete vezes menos energia do que o processamento do minério;
o aço reciclado utiliza 2 - 3,5 vezes menos. Produtos que vão
desde computadores a automóveis estão sendo projetados
de tal forma que permite seu desmonte para reparo, reutilização
e, finalmente, reciclagem.
O potencial da reciclagem, entretanto, não é explorado,
devido principalmente a políticas governamentais que favorecem
a extração. Caso as 7 milhões de toneladas de latas
descartadas pelos americanos entre1990 e 2000 tivessem sido recicladas,
teriam gerado alumínio suficiente para fabricar 316.000 Boeings
737 – ou seja, 25 vezes o tamanho de toda a frota mundial de aviação
comercial. Outro filão inexplorado de metal é o estoque
de ouro na superfície. Atualmente, há três vezes
mais ouro “dormindo” em cofres de bancos, caixas de jóias
e em poder de investidores privados, do que nas reservas identificadas
em minas subterrâneas.
Capítulo
7: Unindo Cidades Divididas,
Molly
O’Meara Sheehan
Sem condições de
adquirir moradia “formal”, 1 bilhão de pessoas em
todo o mundo buscam abrigo em assentamentos “informais,”
freqüentemente em locais extremamente precários –
encostas íngremes ou várzeas, lixões ou a jusante
de poluidores industriais – vivendo não apenas sob constante
ameaça de despejo, mas também dos riscos de desastres
naturais e doenças devido à falta de água e saneamento.
Embora as cidades do Norte industrializado tenham figurado entre as
dez maiores em 1900, em 2001 apenas Tóquio e Nova York continuaram
na lista. Os centros urbanos no Sul em desenvolvimento hoje predominam
entre os maiores cidades do mundo. Demógrafos esperam que, até
2015, Los Angeles e Xangai sairão da relação, à
medida que Karachi e Jacarta sobem de posição.
Os governos poderiam fazer muito mais para ajudar seus cidadãos
mais pobres se sentirem seguros em seus lares, ganharem a vida e melhorarem
seu meio ambiente. E ao fazê-lo, as cidades mais pobres do mundo
teriam condições de dar um salto acima das suas contrapartidas
mais ricas, e criar um modelo de desenvolvimento urbano que valorizasse
tanto as pessoas quanto a natureza.
Mundialmente, as vozes dos pobres ecoam em várias arenas políticas.
De Bombaim a Buenos Aires, favelados se organizam para lutar por maiores
direitos e vida melhor.
Capítulo
8: O Engajamento da Religião na Busca de um Mundo Sustentável,
Gary
Gardner
Tradições espirituais
– desde as grandes religiões centralizadas até autoridades
espirituais tribais locais – começam a dedicar esforços
para a criação de sociedades justas e ambientalmente sadias.
Mundialmente, as principais religiões emitem declarações,
defendendo novas políticas nacionais e projetando atividades
educacionais de apoio a um mundo sustentável – às
vezes em parceria com a comunidade ambiental secular.
Instituições religiosas podem dar, no mínimo, cinco
grandes contribuições ao esforço de criação
de um mundo sustentável: capacidade de desenvolver visões
de mundo, autoridade moral, uma base ampla de seguidores, recursos materiais
significativos e capacidade de desenvolvimento comunitário.
Embora as comunidades religiosas e cientificas tenham, historicamente,
divergido e suspeitado umas das outras, questões como desmatamento,
mudança climática e pobreza levaram comunidades religiosas
e ambientalistas a reconhecerem seus interesses comuns no combate a
esses problemas. Esta tendência é promissora e poderá
representar o florescimento de uma nova e poderosa aliança para
a sustentabilidade.
À medida que muitas religiões começam a demonstrar
interesse na construção de um mundo sustentável,
defensores seculares da sustentabilidade estão se tornando um
pouco mais receptivos aos apelos espirituais. Esta abertura poderá
reintroduzir uma voz veemente ao movimento ambientalista que criaria
uma ligação emocional/espiritual entre o público
e meio ambiente natural.
Copyrights,
2003. WWI-Worldwatch Institute / UMA-Universidade Livre da Mata Atlântica..
Todos
os direitos reservados. Autorizada
a reprodução citando fonte e site www.wwiuma.org.br
Adquira aqui ou pelo tel
71-3127897 (horário comercial).
|