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Estado do Mundo 2003

 

 

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Sumário dos Capítulos

 

 


Capítulo 1: Uma História do Nosso Futuro, Chris Bright

Os desafios ambientais e sociais que enfrentamos hoje – de população à poluição até declínio ecológico – são gigantescos, porém superáveis. Como a história demonstra, as pessoas são capazes de realizar mudanças fundamentais para melhoria de vida.
Um obstáculo para mudanças é o fato das avaliações de dano apresentarem, freqüentemente, um ar de irrealidade, sem uma relação muito óbvia com nosso modo costumeiro de vida. Grande parte da degradação ambiental não pode ser vista. Grandes economias tendem a separar os maus efeitos do comportamento, do comportamento propriamente dito. Poucos de nós jamais se defrontaram com lixo tóxico, degradação do solo ou com a extração insustentável de minerais e madeira que sustentam nossos padrões coletivos de consumo.
Todavia, não é tão difícil assim visualizar os caminhos que a reforma terá que seguir. Por exemplo, na economia energética, o caminho para reforma se distancia dos combustíveis fósseis e se dirige a fontes renováveis de energia; e na produção de materiais, se distancia da dependência primária da mineração, voltando-se mais para a reciclagem.
Apesar da necessidade óbvia de mudança e apesar da nossa óbvia competência técnica, ainda assim pode ser difícil acreditar que mudanças reais e fundamentais sejam possíveis. Mesmo assim, tais mudanças ocorrem de fato, ainda que seja difícil reconhecê-las por serem aceitas como naturais. Por exemplo, quem hoje se lembra da campanha para erradicação da varíola?

Capítulo 2: Observando o Desaparecimento das Aves, Howard Youth

Cientistas proeminentes consideram que o mundo se encontra em meio a maior onda de extinção de animais desde o desaparecimento dos dinossauros, 65 milhões de anos atrás. Este fenômeno está claramente refletido na extinção de aves, que hoje ultrapassa 50 vezes a taxa natural de perda. Ao longo dos últimos 500 anos, 128 espécies avícolas desapareceram, com 103 delas perdidas desde 1800.
Esses desaparecimentos assinalam não apenas a perda de espécies singulares, mas também o desordenamento de delicados equilíbrios naturais. Além de proporcionar inestimáveis bens e serviços com seus habitats, as aves também fornecem indicações valiosas sobre mudanças ambientais. Seus declínios populacionais freqüentemente refletem a degradação do meio ambiente.
Uma gama de fenômenos acelera as ameaças e extinções de espécies avícolas: perda de habitat, desastres provocados pelo homem, doenças, disseminação de espécies vegetais e animais exóticas, caça, comércio ilegal, pesticidas, linhas de transmissão, arranha-céus e mudança de temperatura.
A proteção à biodiversidade deve figurar no topo das prioridades desenvolvimentistas, como habitação, saneamento e abastecimento de água, como parte de uma estratégia de uso sustentável do solo. Ademais, deve ser incluída, de forma compatível, no planejamento rural, suburbano e urbano de melhoria das condições de vida das populações pobres mundiais e, ao mesmo tempo, tornar nossas cidades e indústrias mais seguras para todos os seres vivos. Só assim o futuro das 9.800 espécies de aves mundiais estaria assegurado.


Capítulo 3: Criando um Elo entre População, Mulheres e Biodiversidade, Mia MacDonald / Danielle Nierenberg

A interação entre os papéis do crescimento populacional, perda de biodiversidade e questões de gênero é complexa. Mas, no seu cerne, a desigualdade de gênero tende a exacerbar o crescimento populacional, e os aumentos populacionais tendem a pressionar o meio ambiente natural, inclusive os recursos biológicos.
Ao longo da última década, vários acordos globais reconheceram a necessidade de incluir as realidades populacionais no planejamento do desenvolvimento sustentável. Esses acordos também assinalaram o papel central que a melhoria da situação das mulheres desempenha na redução da fertilidade e garantia de manejo seguro dos recursos naturais.
Todavia, avanços significativos em direção às metas estabelecidas nessas conferências têm sido lentos, devido a deficiências no provimento de recursos compromissados ou em vontade política. No mundo em desenvolvimento, as mulheres freqüentemente são as primeiras a sentir os efeitos da degradação ambiental, uma vez que são elas que dependem das árvores, capins, água e uma variedade de plantas para atender as necessidades domésticas diárias..
A fim de evitar choques futuros entre população, consumo e biodiversidade, será necessária uma ação rápida e segura em várias áreas, e em nível de políticas e programas. Estas incluem objetivar áreas de alta biodiversidade para melhorias em larga escala em saúde reprodutiva, educação, e direitos e capacidade das mulheres participarem no manejo dos recursos naturais. Será também importante encorajar tomadores de decisão e gestores de programas para um trabalho em setores distintos como saúde e meio ambiente, desenvolvimento de políticas nacionais e programas de informação pública, dirigidos a um melhor alinhamento de padrões de consumo e conservação da biodiversidade. Inovações de políticas, também, poderão sustentar o aprimoramento de programas existentes, a fim de maximizar seu alcance e impacto.


Capítulo 4: Combate à Malária, Anne Platt McGinn

A malária, um dos mais antigos flagelos da humanidade, está retornando com toda força, chegando a matar 7.000 pessoas por dia (mais do que a AIDS) – principalmente crianças na África sub-saariana. A malária se tornou resistente à maioria dos medicamentos, tornando o tratamento muito mais complicado e dispendioso. Pobreza, guerra e distúrbios civis dificultam a ação preventiva e de tratamento por parte de governos. E as pessoas não se valem dos meios seguros, eficazes e acessíveis de controlar os mosquitos portadores da doença.
Controlar essa doença exigirá estratégias criativas e muito mais recursos do que estão disponívies atualmente. (A malária é uma doença de país pobre e, assim, não é pesquisada a fundo: entre 1979 e 1999, apenas quatro dos 1.393 novos medicamentos desenvolvidos mundialmente eram contra a malária.) Apesar da eliminação gradativa, quase global, do DDT, este inseticida continua sendo um instrumento importante para o controle da malária nas epidemias de partes da África sub-saariana.
Nas linhas de frente da África, os governos estão reduzindo a incidência da malária, ajudando as pessoas a adquirirem mosquiteiros tratados com inseticidas menos tóxicos que o DDT. Dormir sob um mosquiteiro reduz radicalmente o número de picadas contaminadoras do mosquito. O governo mexicano implantou um programa sofisticado contra a malária, combinando envolvimento comunitário, prevenção ampla, tratamentos ajustados às condições locais e o uso inicial da opção menos tóxica. Através de programas como o Fundo Global das Nações Unidas para o Combate a AIDS, Tuberculose e Malária, o mundo desenvolvido começou a aumentar o volume da ajuda financeira.


Capítulo 5: Traçando um Novo Futuro Energético, Janet Sawin

As tecnologias de energia renovável têm o potencial de atender muitas vezes à demanda global de energia, já estando hoje pronta para uso em larga escala. A transição do mix atual de combustíveis fósseis, energia nuclear e hídrica, para renováveis irá reduzir significativamente as ameaças que as fontes atuais de energia representam para o meio ambiente, saúde e bem-estar públicos, e a estabilidade política internacional.
A indústria do combustível fóssil e os governos da maioria das nações produtoras de petróleo, como também os grandes consumidores de combustíveis fósseis como os Estados Unidos, há muito tempo vêm argumentando que a energia renovável não é uma alternativa confiável. Porém, é muito difícil alegar que algo é impossível depois de ter ocorrido.
Da Alemanha à China rural, a energia renovável, especialmente eólica e solar (fotovoltáica), atingiu a maioridade. Após mais de uma década de crescimento de dois dígitos, a energia renovável é hoje um negócio multibilionário global. A energia eólica lidera em muitas nações, gerando mais de 20% da demanda de eletricidade em algumas regiões e países, e é competitiva frente a muitas tecnologias convencionais de energia. As células solares já são a opção mais acessível para obtenção de serviços modernos de energia para centenas de milhões de pessoas nos países em desenvolvimento.


Capítulo 6: Livrando-se da Dependência da Mineração, Payal Sampat

Se um contador analisasse o custo/benefício da extração de minerais do solo, com seu processamento e refino, o balanço revelaria uma indústria que consome quase 10 porcento da energia mundial, despeja quase metade de todas as emissões tóxicas industriais de alguns países, e ameaça quase 40 porcento das áreas mundiais de floresta inexplorada. A mineração também é a ocupação mais letal do mundo: em média, 40 mineiros morrem em acidentes do trabalho diariamente, e muitos mais são acidentados.
Hoje, os minerais são extraídos e consumidos em quantidades gigantescas: em 1999, cerca de 9,6 bilhões de toneladas de minerais comercializáveis foram escavadas da Terra, quase o dobro de 1970. O volume de rejeitos gerados para a extração desses minerais é ainda mais assustador. Em média, a produção de uma única aliança, por exemplo, gera aproximadamente 3 toneladas de rejeitos numa mina.
Felizmente o mundo não precisa obter minerais utilizando tanta energia e gerando tanta poluição. Através de um melhor planejamento de cidades, transportes, moradias e produtos, as sociedades podem buscar formas de uso do estoque existente de minerais, com muito mais eficiência – e, em geral, em menor quantidade – reduzindo dramaticamente a necessidade de extrair minérios do subsolo.
Os metais, por exemplo, são eminentemente recicláveis. Latas usadas de cobre ou alumínio podem ser recuperados no mesmo volume de metal com muito pouco complemento de metal novo. Economiza-se 95% da energia para produzir alumínio de materiais reciclados, do que do minério de bauxita. A reciclagem do cobre consome cinco a sete vezes menos energia do que o processamento do minério; o aço reciclado utiliza 2 - 3,5 vezes menos. Produtos que vão desde computadores a automóveis estão sendo projetados de tal forma que permite seu desmonte para reparo, reutilização e, finalmente, reciclagem.
O potencial da reciclagem, entretanto, não é explorado, devido principalmente a políticas governamentais que favorecem a extração. Caso as 7 milhões de toneladas de latas descartadas pelos americanos entre1990 e 2000 tivessem sido recicladas, teriam gerado alumínio suficiente para fabricar 316.000 Boeings 737 – ou seja, 25 vezes o tamanho de toda a frota mundial de aviação comercial. Outro filão inexplorado de metal é o estoque de ouro na superfície. Atualmente, há três vezes mais ouro “dormindo” em cofres de bancos, caixas de jóias e em poder de investidores privados, do que nas reservas identificadas em minas subterrâneas.


Capítulo 7: Unindo Cidades Divididas, Molly O’Meara Sheehan

Sem condições de adquirir moradia “formal”, 1 bilhão de pessoas em todo o mundo buscam abrigo em assentamentos “informais,” freqüentemente em locais extremamente precários – encostas íngremes ou várzeas, lixões ou a jusante de poluidores industriais – vivendo não apenas sob constante ameaça de despejo, mas também dos riscos de desastres naturais e doenças devido à falta de água e saneamento.
Embora as cidades do Norte industrializado tenham figurado entre as dez maiores em 1900, em 2001 apenas Tóquio e Nova York continuaram na lista. Os centros urbanos no Sul em desenvolvimento hoje predominam entre os maiores cidades do mundo. Demógrafos esperam que, até 2015, Los Angeles e Xangai sairão da relação, à medida que Karachi e Jacarta sobem de posição.
Os governos poderiam fazer muito mais para ajudar seus cidadãos mais pobres se sentirem seguros em seus lares, ganharem a vida e melhorarem seu meio ambiente. E ao fazê-lo, as cidades mais pobres do mundo teriam condições de dar um salto acima das suas contrapartidas mais ricas, e criar um modelo de desenvolvimento urbano que valorizasse tanto as pessoas quanto a natureza.
Mundialmente, as vozes dos pobres ecoam em várias arenas políticas. De Bombaim a Buenos Aires, favelados se organizam para lutar por maiores direitos e vida melhor.


Capítulo 8: O Engajamento da Religião na Busca de um Mundo Sustentável, Gary Gardner

Tradições espirituais – desde as grandes religiões centralizadas até autoridades espirituais tribais locais – começam a dedicar esforços para a criação de sociedades justas e ambientalmente sadias. Mundialmente, as principais religiões emitem declarações, defendendo novas políticas nacionais e projetando atividades educacionais de apoio a um mundo sustentável – às vezes em parceria com a comunidade ambiental secular.
Instituições religiosas podem dar, no mínimo, cinco grandes contribuições ao esforço de criação de um mundo sustentável: capacidade de desenvolver visões de mundo, autoridade moral, uma base ampla de seguidores, recursos materiais significativos e capacidade de desenvolvimento comunitário.
Embora as comunidades religiosas e cientificas tenham, historicamente, divergido e suspeitado umas das outras, questões como desmatamento, mudança climática e pobreza levaram comunidades religiosas e ambientalistas a reconhecerem seus interesses comuns no combate a esses problemas. Esta tendência é promissora e poderá representar o florescimento de uma nova e poderosa aliança para a sustentabilidade.
À medida que muitas religiões começam a demonstrar interesse na construção de um mundo sustentável, defensores seculares da sustentabilidade estão se tornando um pouco mais receptivos aos apelos espirituais. Esta abertura poderá reintroduzir uma voz veemente ao movimento ambientalista que criaria uma ligação emocional/espiritual entre o público e meio ambiente natural.


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