Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU

 

Efeito Estufa é muito pior do que se imaginava

 

 

Um relatório divulgado em 12/07/2001 pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, afirmou que as temperaturas globais vão aumentar, em média, 5,8º C até o fim do século. Tal aumento é quase duas vezes maior que o previsto há  cinco anos.

Esta denúncia vem se somar a outras que asseguram que mudanças climáticas provocarão prejuízos nas colheitas e podem diminuir em um quarto a produção de alimentos nos países mais pobres.


O Relatório vai contra a justificativa dos EUA em não ratificar o Protocolo de Kyoto. O Presidente dos Estados Unidos, George W.  Bush afirma que não há provas de que o aquecimento global esteja relacionado à poluição industrial. E desta forma,  é injusto esperar que os Estados Unidos e outros países industrializados assumam a responsabilidade pelo problema.

Segundo especialistas a publicação do relatório  aconteceu num momento decisivo. Na semana que vem, políticos de mais de 150 países vão se reunir em Bonn - Alemanha, numa tentativa de salvar o acordo.

Com os índices apontados no estudo, muitos países devem tentar convencer os Estados Unidos a ratificarem o Protocolo de Kyoto. Para que o Protocolo seja eficiente é necessário que os países industrializados, responsáveis pela maior parte da emissão, assinem o acordo.

Caso os Estados Unidos - responsáveis  por 36% do total de CO2 lançado na atmosfera - não ratifiquem o protocolo, o Japão declara que também não o assina, tornando praticamente inviável se alcançar as metas de redução dos gases poluentes.

CLIMA 

Clima: sucessão habitual dos tipos de tempo num determinado local da superfície terrestre.”(Max Sorre)

Tempo: conjunto de valores, que num dado momento e num certo lugar, caracterizam o estado atmosférico.”

Para compreender o clima de um determinado local, é preciso estudar os diversos tipos de tempo que costumam ocorrer durante vários anos seguidos. O resultado obtido nesse estudo é uma espécie de “síntese” dos tipos de tempo que ocorrem no local, ou clima. Tanto o “clima” como o “tempo” referem-se aos mesmos fenômenos atmosféricos: a temperatura e a insolação, a pressão atmosférica, os ventos, a umidade do ar e as precipitações (chuvas, neve, geada, orvalho e granizo).

Costuma-se descrever o clima de um lugar citando-se as médias aritméticas de temperatura, pluviosidade, etc., que são registradas em um determinado lugar, procedimento considerado incorreto, porque duas áreas podem ter as mesmas médias e apresentarem climas diferentes. O importante é saber a dinâmica atmosférica dessa área: as variações diárias anuais da temperatura, da umidade, da pressão atmosférica e o porquê dessas oscilações.

Uma classificação aceita em climatologia é a de Köppen, considerada tradicional, a qual não leva em consideração a dinâmica das massas de ar.

O elemento mais importante para a explicação da mudança no comportamento dos fenômenos atmosféricos são as massas de ar, pois estas constituem volumes da atmosfera que têm algumas propriedades em comum em virtude da área em que se localizam. Existem massas de ar polares, equatoriais, tropicais, oceânicas, continentais, entre outras, que se movem continuamente. O encontro de duas massas de ar com diferentes temperaturas recebe o nome de “frente”.

MASSAS DE AR QUE ATUAM NO BRASIL    

O ar atmosférico está sempre em movimento, na forma de massa de ar ou de vento. Se uma massa de ar possui características particulares de temperatura e umidade, torna-se responsável pelo tempo, e, portanto pelo clima de uma área. Dependendo da estação do ano, as massas avançam para o território brasileiro ou dele recuam. Seus avanços ou recuos é que vão determinar o clima.

 

Massas

Características

Massa Equatorial (mEa)

Quente e úmida, dominando a parte litorânea da Amazônia e do Nordeste em alguns momentos do ano, tem seu centro de origem no Oceano Atlântico.

Massa Equatorial Continental (mEc)

Quente e úmida, com centro de origem na parte ocidental da Amazônia, que domina a porção noroeste da Amazônia durante quase todo ano.

Massa Tropical Atlântica (mTa)

Quente e úmida originária do Oceano Atlântico nas imediações do trópico de Capricórnio e exerce enorme influência sobre a parte litorânea do Brasil.

Massa Tropical Continental (mTc)

Quente e seca, que se origina na depressão do Chaco, e abrange uma área de atuação muito limitada, permanecendo em sua região de origem durante quase todo o ano.

Massa Polar Atlântica (mPa)

Fria e úmida, forma-se nas porções do Oceano Atlântico próximas à Patagônia. Atua mais no inverno quando entra no Brasil como uma frente fria, provocando chuvas e queda de temperatura.

 

CLASSIFICAÇÃO DOS CLIMAS DO BRASIL    

No Brasil, existem várias classificações climáticas, sendo uma delas feitas por Arthur Strahler e outra por Wilhem Köppen.

A classificação de Strahler baseia-se nas áreas da superfície terrestre, controladas ou dominadas pelas massas de ar:

 

Clima

Características

Clima Equatorial Úmido (convergência de alísios)

Abrange a Amazônia, e se caracteriza por um clima equatorial continental, quase todo o ano. Em algumas porções litorâneas da Amazônia, há alguma influência da massa equatorial atlântica, que algumas vezes (no inverno) conduz a frente fria, atingindo o sul e o sudeste da região. Embora as massas de ar sejam em geral secas, a mEc é úmida por sua localização estar sobre uma área com rios caudalosos e com cobertura da Floresta Amazônica, que possui grande umidade pela transpiração dos vegetais. Portanto, é um clima úmido e quente.

As médias anuais térmicas mensais vão de 24ºC a 27ºC, ocorrendo baixa amplitude térmica anual, com pequeno resfriamento no inverno. As médias pluviométricas são altas e a estação seca é curta. Por ser uma região de calmaria, devido ao encontro dos alísios do Hemisfério Norte com os do Sul, a maior parte das precipitações que aí ocorrem são chuvas de convecção.

Clima litorâneo úmido

Abrange parte do território brasileiro próximo ao litoral. A massa de ar que exerce maior influência nesse clima é a tropical atlântica (mTa). Pode ser notado em duas principais estações: verão (chuvoso) e inverno (menos chuvoso), com médias térmicas e índices pluviométricos elevados; é um clima quente e úmido.

Clima tropical alternadamente úmido e seco

Abrange os estados de Minas Gerais e Goiás, parte de São Paulo, Mato Grosso do Sul, parte da Bahia, do Maranhão, do Piauí e do Ceará. É um clima tropical típico, quente e semi-úmido, com uma estação chuvosa (verão) e outra seca (inverno).

Clima tropical tendendo a seco pela irregularidade de ação das massas de ar ou clima semi-árido

Abrange o Sertão do Nordeste, sendo um clima tropical próximo ao árido com médias anuais de pluviosidade inferior a 1000mm. As chuvas concentram-se num período de 3 meses. No Sertão Nordestino, é uma espécie de encontro de quatro sistemas atmosféricos oriundos das massas de ar mEc, mTa, mEa, mPa.

Clima subtropical úmido

Abrange o Brasil Meridional, porção localizada ao sul do Trópico de Capricórnio, com predominância da massa tropical atlântica, que provoca chuvas fortes. No inverno, tem freqüência de penetração de frente polar, dando origem às chuvas frontais com precipitações devidas ao encontro da massa quente com a fria, onde ocorre a condensação do vapor de água atmosférico. O índice médio anual de pluviosidade é elevado e as chuvas são bem distribuídas durante todo o ano, fazendo com que não exista a estação da seca.

A classificação de Köppen baseia-se fundamentalmente na temperatura, na precipitação e na distribuição de valores de temperatura e precipitação durante as estações do ano.

Significado das letras:

 

1a letra

2a letra

3a letra

A = clima quente e úmido

f = sempre úmido

h = quente

B = clima árido ou semi-árido

m = monçonico (com pequena estação seca)

a = verões quentes

C = clima subtropical ou temperado

s = chuvas de inverno

b = verões brandos

 

w = chuvas de verão

 

 

 

Denominação

Área de Ocorrência

Características

Am (equatorial)

Maior parte da Amazônia

Temperaturas elevadas: médias entre 25ºC e 27ºC.

Pluviosidade elevada: médias de 1.500 a 2.500 mm/ano.

Aw (tropical)

Brasil Central; parte de Minas Gerais e da Bahia

Temperatura média entre 19ºC e 28ºC, pluviosidade média inferior a 2000 mm/ano.

Duas estações bem definidas: o verão (chuvoso) e o inverno (seco).

Bsh (semi-árido)

Sertão do Nordeste

Médias anuais térmicas superiores a 25ºC.

Pluviosidade média anual inferior a 1000 mm/ano com chuvas irregulares.

Cwa (tropical de altitude)

Partes do Sudeste e sul do Mato Grosso do Sul.

Médias térmicas entre 19ºC e 27ºC.

Pluviosidade média de 1500 mm/ano; chuvas de verão.

Cf (subtropical)

Sul do País

Médias térmicas entre 17ºC e 19ºC.

Pluviosidade média de 1500 mm/ano; chuvas bem distribuídas.


MAPA- UNIDADES CLIMÁTICAS DO BRASIL    

 

MONITORAMENTO CLIMÁTICO    

Trata-se do acompanhamento do comportamento médio do estado da atmosfera e dos oceanos numa determinada região por um longo período de tempo (mês, estação ou ano).

O acompanhamento de fenômenos como as fases quentes (El Niño) e as frias (La Niña) da Oscilação Sul são fundamentais para o País, principalmente por causa dos diferentes impactos climáticos que ocasionam.

 

Fenômeno

O que é/o que ocasiona

Conseqüências no Brasil

EL NIÑO

·         É o aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental.

·         Faz com que o padrão normal de circulação atmosférica se altere.

·         Região Sul: precipitações abundantes (primavera) e chuvas intensas de maio a julho, aumento da temperatura média do ar.

·         Região Sudeste: moderado aumento das temperaturas médias.

·         Região Centro-Oeste: tendência de chuvas acima da média e temperaturas mais altas no sul do Mato Grosso do Sul.

·         Região Nordeste: secas de diversas intensidades no norte do Nordeste, durante a estação chuvosa, de fevereiro a maio.

·         Região Norte: secas de moderadas a intensas no norte e no leste da Amazônia. Aumento da probabilidade de incêndios florestais.

LA NIÑA

·         É o resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental

·         Provoca mudanças no padrão de circulação atmosférica

·         Região Sul: passagens rápidas de frentes frias.

·         Região Sudeste: temperaturas abaixo da média durante inverno e verão.

·         Região Nordeste: frentes frias, principalmente no litoral da Bahia, Sergipe e Alagoas.

·         Região Norte: chuvas abundantes no norte e noleste da Amazônia.


PREVISÃO CLIMÁTICA    

Estimativa do comportamento médio da atmosfera com antecedência de uma ou duas estações. Utilizam-se dois métodos:

·         Método Estatístico: modelos de previsão empíricos, os quais se valem de uma correlação entre duas ou mais variáveis, para regionalmente estimar os prognósticos de uma delas.

·         Método Dinâmico: modelos dinâmicos do sistema climático, nos quais se utiliza um conjunto de equações físicas que simulam os movimentos atmosféricos para prever os acontecimentos futuros.

As regiões tropicais apresentam maior índice de acerto nas previsões, devido aos fatores que determinam os fenômenos meteorológicos, que são diretamente influenciados pelas condições da superfície (temperatura da superfície do mar e umidade do solos nos continentes). No Brasil, nas regiões Norte e Nordeste é possível se fazer as melhores previsões climáticas.

CONVENÇÃO – QUADRO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MUDANÇA DO CLIMA    

As correntes oceânicas e marítimas que cruzam o planeta, acionadas pela energia solar, moldam o ambiente. Para os trópicos, carregam chuvas abundantes e calor o ano inteiro e para os pólos levam o inverno. O clima é alterado pela terra e pelo mar. As montanhas fazem os ventos espalharem sua umidade, criando frentes localizadas de chuva, enquanto correntes frias refrescam as terras quentes. Por esta troca mútua, o planeta e seu clima criam um ao outro.

Qualquer alteração neste ciclo pode ocasionar sérias conseqüências na Terra. Até o presente, os fenômenos que mais ameaçam a atmosfera são a destruição da camada de ozônio e o efeito estufa. A camada de ozônio absorve a maior parte da radiação ultravioleta que atinge a superfície da Terra. A eliminação do ozônio está ocorrendo, conforme observações e estudos científicos, em grande parte pela presença do cloro nas substâncias denominadas clorofluorcarbonos (CFC), além de outras substâncias sintéticas como o metilclorofórmio, e ainda dos halons e compostos de bromo.

O aquecimento global pelo aumento das temperaturas médias altas é uma das conseqüências mais prováveis do aumento das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, o que pode provocar novos padrões de clima com repercussões nos regimes de vento, chuva e circulação geral dos oceanos. O efeito estufa natural tem mantido a temperatura da Terra por volta de 300C mais quente do que ela seria na ausência dele, possibilitando a existência de vida no planeta. Entre os gases que podem ocasionar esse fenômeno, destacam-se o vapor d' água, o dióxido de carbono (CO2), o ozônio (O3), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O).

Alguns indícios de alteração do clima:

·         As temperaturas aumentam.

·         Extensas regiões do planeta ficam mais secas e as áreas desérticas aumentam.

·         Em algumas áreas, o alto índice de chuvas provoca enchentes.

·         Os oceanos esquentam e se expandem, inundando ilhas e litorais.

·         Tempestades violentas ocorrem com freqüência;

·         Colheitas são perdidas e comunidades vulneráveis abandonam suas casas, migrando para outro lugar.

A convenção “Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima” foi assinada por mais de 150 países em junho de 1992, durante a ECO-92, no Rio de Janeiro. O objetivo principal da Convenção é:

“... alcançar a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça uma interferência antrópica perigosa no sistema clima. Esse nível deverá ser alcançado num prazo suficiente que permita aos ecossistemas adaptarem-se naturalmente à mudança do clima, que assegure que a produção de alimentos não seja ameaçada e que permita ao desenvolvimento econômico prosseguir de maneira sustentável.” (MCT/CPMG, 1999)

A convenção reconhece que a maior parcela das emissões globais, históricas e atuais de gases de efeito estufa é originária dos países desenvolvidos, devendo estes estabelecerem medidas de redução de suas emissões. Reconhece também que, embora as emissões per capita dos países em desenvolvimento ainda sejam relativamente baixas, a parcela de emissões globais originárias desses países crescerá uma vez que eles tendem a satisfazer suas necessidades sociais e de desenvolvimento. (MCT/CPMG, 1999).

PROTOCOLO DE KYOTO      

Foi adotado em dezembro de 1997, no Japão, com o objetivo de: a) fixar compromissos de redução e limitação para os países desenvolvidos; b) trazer a possibilidade de utilização de mecanismos de flexibilidade para que os países em desenvolvimento possam atingir os objetivos de redução de gases do efeito estufa.

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SISTEMA DE OBSERVAÇÕES METEOROLÓGICAS

Para diagnóstico e prognóstico da atmosfera, tornam-se indispensáveis a instalação e operação de um sistema global de observações meteorológicas. Este sistema deve ser apto a promover a exploração global da atmosfera, tanto na superfície quanto nos níveis superiores, além de realizar medições em intervalos de tempo curtos para permitir o monitoramento da origem e do desenvolvimento dos fenômenos.

Sendo a atmosfera um meio contínuo, o que existe é uma interligação de fenômenos que se desenvolvem na superfície, interagindo com as camadas superiores da atmosfera e vice-versa. Desse modo a ONU mantém um órgão especializado, denominado ORGANIZAÇÃO METEOROLÓGICA MUNDIAL – OMM, que congregava em 1990 cerca de 161 países, coordenando o mundo todo, por todas as atividades meteorológicas de caráter operacional, bem como os programas de pesquisas de interesse mundial.

A OMM não propõe soluções imediatas para todos os problemas meteorológicos. Em mais de 100 anos de cooperação internacional, os importantes progressos da Meteorologia já se situaram em um lugar destacável entre os programas e as atividades destinados a solucionar ou aliviar graves problemas da humanidade.

As atividades da OMM são controlados pelos Diretores dos Serviços Meteorológicos Nacionais, baseando-se na mútua cooperação entre eles. Isso faz com que a OMM seja um organismo coordenador e executor, que explica o êxito que tem alcançado ao responder às necessidades de todos os países, tanto os desenvolvidos quanto aqueles em vias de desenvolvimento.

Segue abaixo o organograma da OMM:

A - CONGRESSO: órgão supremo, em que estão representados todos os países membros, que se reúnem há 4 anos, com a subdivisão relacionada abaixo:

A1 - ASSOCIAÇÕES REGIONAIS: África (I), Ásia (II), América do Sul (III), América do Norte e Central (IV), Sudoeste do Pacífico (V), Europa (VI), reunindo-se a cada 4 anos. Cada país membro tem direito a pertencer à Associação Regional na qual se localiza sua rede de estações meteorológicas.

A2 - COMISSÕESTÉCNICAS: sistemas básicos, instrumentos e métodos de observações, ciências atmosféricas, meteorologia aeronáutica, meteorologia agrícola, hidrologia, meteorologia marítima, aplicações especiais da meteorologia e da climatologia, sendo que se reúnem a cada 4 anos, tendo cada país membro direito de representar comissão.

A3 - COMITÊ EXECUTIVO: constituído por 24 membros, entre os quais figuram os seis presidentes das Associações Regionais, na qualidade de membros ex-ofício. Reúnem-se todos os anos. O Comitê Executivo subdivide-se em:

A3.1 - Comitê conjunto da OMM/ Conselho Internacional de Uniões Científicas - CIUC e de organizações do Programa de Pesquisas Atmosféricas Globais - GARP.

A3.2 - Secretaria: responsável pela execução e gestão. Integrada pelo secretário geral e secretário adjunto, responsáveis pelos planejamento do programa e questões relativas a ONU, relações exteriores. Informações e boletim da OMM. Divide-se em:

·         Departamento da Vigilância Meteorológica Mundial

·         Departamento de Investigação e Desenvolvimento

·         Departamento de Hidrologia e Recursos Humanos

·         Escritórios Regionais África e América Latina

·         Departamento de Administração, Conferências e Publicações

·         Escritórios de Atividades do GARP

·         Departamento de Aplicações Meteorológicas e Meio Ambiente

·         Departamento de Cooperação Técnica

·         Departamento de Ensino e Formação Profissional

Todo o Globo Terrestre está representado na OMM. Um dos mais notáveis resultados dos 100 anos de cooperação internacional foi a criação do programa básico da OMM e constitui-se de um sistema mundial composto de instalação e serviços nacionais oferecidos por cada um dos países envolvidos. No Brasil, o Departamento Nacional de Meteorologia – DNMET, sediado em Brasília é o órgão executor.

O objetivo principal do VMM (Vigilância Meteorológica Mundial) é fazer com que todos os países membros obtenham as informações meteorológicas necessárias. A VMM atualiza-se a cada 4 anos, mediante os Congressos da OMM.

A VMM possui três sistemas específicos:

·         Sistema Mundial de Observações – SMO

·         Sistema Mundial de Preparação de Dados – SMPD

·         Sistema Mundial de Telecomunicações – SMT

Sistema Mundial de Observações – SMO

Efetua várias observações meteorológicas que são realizadas em todos postos de observação dos diversos países membros e obedece a normas e critérios técnicos padronizados. Entretanto, isso é considerado deficiente, sendo que as lacunas mais amplas estão nas regiões oceânicas, especialmente no Hemisfério Sul.

Existem 2 tipos de satélites quanto à órbita: os da órbita polar e os geoestacionários, equipados para transmissão automática de imagens e com elementos sensores. Os de órbita polar estão situados entre 800 e 1.400 km de altura e os geoestacionários encontram-se a 36.000 km. Os satélites observam as camadas de nuvens, as distribuições verticais de temperatura, a umidade, a superfície (mar e terra ) e as regiões cobertas de gelo e neve.

A VMM programou uma série de 5 satélites geoestacionários, de tal forma que a cada 30 minutos se tenha uma imagem completa de toda a atmosfera terrestre. Estes satélites são os mais utilizados para previsão do tempo, pois fornecem imagens a cada 30 minutos, tanto na faixa visível (durante o dia) quanto ao infravermelho (dia e noite). Essas imagens são digitais e podem ser processados por computadores, o que irá gerar outras informações, como precipitação, radiação solar, temperatura e ventos em várias camadas da atmosfera.

Os satélites baixos, de órbita polar, fornecem melhor resultado espacial e são capazes de determinar a posição de plataformas de coletas de dados móveis, como bóias à deriva e navios. As plataformas de coleta-PCD são importantes para regiões com escassez de postos de observação convencionais, como na Amazônia brasileira e mesmo nos oceanos. Esta plataforma é acoplada ao satélite e coleta inúmeros parâmetros para fins meteorológicos, etc.

O Brasil pode receber informações dos satélites TIROS-N, GOES (75ºW) e METEOSAT (0º) (OMM, nº72, 1990).

Sistema Mundial de Preparação de Dados – SMPD

Os Centros Meteorológicos Mundiais (CMM), osCentros Meteorológicos Regionais (CMR) e os Centros Meteorológicos Nacionais (CMN) trabalham com os dados que recebem do SMO, via satélites.

Os CMM estão em Melbourne, Moscou e Washington D.C., cada um equipado com enormes computadores e operando dados que recebem em horas fixas, duas vezes ao dia. Distribuem suas análises e previsões mundiais para os outros centros.

Mais de 100 CMN cooperam com a VMM e lhe enviam dados. A função é satisfazer às necessidades nacionais no que se refere às informações elaboradas.

Sistemas Mundiais de Telecomunicações

Transmitem a enorme quantidade de dados meteorológicos que chegam à VMM e distribui aos usuários os resultados das análises e das previsões realizadas nos CMM, CMR, CMN. Utiliza todos os meios de comunicação, tais como telégrafo, telefone, rádio, cabos, linhas terrestres, satélites, etc., estando organizado segundo o Circuito Principal de Enlace (CPE), que liga Melbourne, Moscou e Washington e tem 4 ramificações, sendo a mais recente a de Pequim.

O Departamento Nacional de Meteorologia DNMET possui atualmente 650 Estações Climatológicas e cerca de 20 estações de Radiossondagem, além de órgãos operacionais, como a Aeronáutica e a Marinha, que também possuem redes de observações, visando atender suas próprias necessidades.

Em níveis estadual e local, Secretarias de Estado e empresas possuem ainda redes de observações. Mas o Brasil caracteriza-se por uma marcante escassez de observações meteorológicas, o que causa sérias dificuldades tanto às previsões do tempo quanto aos estudos climatológicos.

ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS     

A observação da superfície consiste de procedimentos sistemáticos e padronizados, visando à obtenção de informações qualitativas e quantitativas referentes aos parâmetros meteorológicos, capazes de caracterizar plenamente o estado instantâneo da atmosfera. A padronização foi determinada pela OMM, incluindo tipos de equipamentos usados, técnicas de calibração, aferição, ajuste, manuseio e procedimentos observacionais. Além disso, os horários das observações, o tratamento dos dados observados, as correções efetuadas indiretas de outros parâmetros derivados, a transmissão e o uso operacional são igualmente realizados segundo padrões rígidos.

A quantidade e a confiabilidade das operações meteorológicas são propriedades que devem ser visadas pelo sistema de coleta de dados. Para isso, dois pressupostos tornam-se imperativos: a disponibilidade de recursos financeiros e a existência de pessoal técnico-operacional, quantitativa e qualitativamente adequados.

Os dados meteorológicos podem ser obtidos mediante leituras ou registros contínuos, obteníveis dos instrumentos (temperatura, pressão atmosférica, direção e velocidade dos ventos, brilho solar, etc); outros, porém, são identificados pelo próprio observador (a quantidade, altura e o tipo de nuvens, a visibilidade, etc.). Outros dados são estimulados ou derivados dos primeiros (a temperatura do ponto do orvalho, a pressão ao nível do mar, etc.).

As observações meteorológicas são efetuadas em locais tecnicamente escolhidos e preparados para este fim; são as Estações Meteorológicas, podendo ser elas:

Estações sinóticas: são as que realizam observações em horários padronizados internacionalmente, para fins de previsão do tempo. O horário padrão usado é o Tempo Médio de Greenwich – TMG. Sendo assim, todas as observações são efetuadas ao mesmo tempo, independente da localização geográfica da estação. Quando são reunidas em um mapa, todas as observações efetuadas no mesmo TMG denominam-se Carta Sinótica, que constitui um flash do estado atmosférico para toda a área coberta pelas estações.

Estações climatológicas: para fins climatológicos. As principais medem os elementos meteorológicos necessários aos estudos climáticos. As instalações são padronizadas em níveis detalhados, a fim de evitar influências anômalas nas medições.

Estações agrometeorológicas: fornecem informações relacionadas aos elementos meteorológicos e às atividades agrícolas. Para isso, ao lado das observações atmosféricas, são também realizadas observações fenológicas.

Estações meteorológicas aeronáuticas: destinam-se à coleta de informações necessárias à segurança de aeronaves. Instaladas nos grandes aeroportos, fazem inúmeras observações diárias.

Estações especiais: todas as demais estações com qualidades distintas.

Instrumentos Meteorológicos

Os equipamentos utilizados variam com as características das estações:

 

Estações

Instrumentos utilizados

Estações sinóticas

Psicrômetro ventilado

Termoigrógrafo

Termômetro de máxima

Termômetro de mínima

Pluviômetro

Pluviógrafo

Anemógrafo universal

Barômetro

Barógrafo ou Microbarógrafo

Visibilímetro

Nefoscópio

Estações climatológicas

Psicrômetro ventilado

Termoigrógrafo

Termômetro de máxima

Termômetro de mínima

Termômetro de relva

Termômetro de imersão

Geotermômetro

Pluviômetro

Pluviógrafo

Anemógrafo universal

Anemômetro

Barômetro

Barógrafo ou Microbarógrafo

Evaporímetro

Orvalhógrafo

Actinógrafo

Estações agrometeorológicas

Psicógrafo ventilado elétrico

Psicrômetro ventilado

Termoigrógrafo

Termômetro de máxima

Termômetro de mínima

Termômetro de relva

Termômetro de imersão

Geotermômetro

Geotermógrafo

Pluviômetro

Pluviógrafo

Anemógrafo universal

Anemômetro

Evaporímetro

Evapotranspirômetro

Orvalhógrafo

Heliógrafo

Actinógrafo

Radiômetro

 

Conceitos

 

Instrumentos

Conceito

Psicrômetro

mede contínua e automaticamente as variações da umidade

Geotermômetro

mede a temperatura subterrânea

Geotermógrafo

mede contínua e automaticamente as variações da temperatura subterrânea

Pluviômetro

mede a quantidade de chuva

Anemógrafo universal

direção e força dos ventos contínua e automaticamente

Anemômetro

direção e força dos ventos

Barômetro

mede a pressão da atmosfera

Barógrafo

registra contínua e automaticamente as variações da pressão atmosférica

Evaporímetro

registra a evaporação

Evapotranspirômetro

registra a evapotranspiração

Actinógrafo

raios luminosos

Heliógrafo

instrumento de sinalização militar; utilizado no sec. XIX