A Mais
Acelerada Extinção em Massa
da História da Terra
Por Ed Ayres*
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Cientistas acreditam que estamos em meio a uma extinção em
massa até mais acelerada do que o colapso ocorrido quando os dinossauros
desapareceram, há cerca de 65 milhões de anos. |
Sete entre 10 biólogos
acreditam que o mundo esteja hoje em meio a mais acelerada extinção em massa de
seres vivos nos 4,5 bilhões de anos da história do planeta, de acordo com uma
pesquisa realizada pelo Museu Americano de História Natural e pela empresa de
pesquisa Louis Harris.
Isto a torna até mais
acelerada do que o colapso ocorrido quando os dinossauros desapareceram, há
cerca de 65 milhões de anos. Diferentemente desta e de outras extinções em
massa do passado pré-humano, a atual é causada pela atividade humana e não por
fenômenos naturais, declaram os cientistas.
Os cientistas consultados
classificaram a perda da biodiversidade como um problema ambiental mais grave
do que a destruição da camada de ozônio, aquecimento global ou poluição e
contaminação. A maioria (70 porcento) revelou acreditar que durante os próximos
30 anos, até um quinto de todas as espécies vivas hoje estará extinto, e um
terço dos consultados considerou que metade das espécies da Terra estará morta
no mesmo período.
"Esta pesquisa é um
alerta dramático às pessoas, governos e instituições sobre a ameaça
verdadeiramente descomunal que estamos enfrentando, não apenas à saúde do
planeta, mas também ao bem-estar e sobrevivência da própria humanidade – uma
ameaça praticamente despercebida pela população em geral," comentou a
Presidente do Museu de História Natural, Ellen V. Futter.
A pesquisa Biodiversidade
no Próximo Milênio foi dirigida a 400 membros do Instituto Americano de
Ciências Biológicas.
Os consultados incluíram
especialistas em bioquímica, botânica, biologia conservacionista, entomologia,
genética, biologia marinha, biologia molecular, neurociências, fisiologia e
outras áreas. Paralelamente, foi realizada uma pesquisa entre 100 professores
de ciência de nível médio e secundário da Associação Nacional de Professores de
Ciência, e entre 1.000 pessoas da população em geral, para avaliar as
diferenças de opinião sobre questões da biodiversidade.
As comparações revelaram
que "a população em geral é relativamente desinformada quanto à perda das
espécies e às ameaças que ela representa," declarou a porta-voz do Museu,
Elizabeth Chapman. A pesquisa também constatou que "embora os professores
de ciência tenham uma consciência mais clara do que a população em geral da
dimensão e urgência da crise da biodiversidade, mais de 50 porcento deles não acredita
que estejamos em meio a uma extinção em massa, e apenas 38 porcento se
considera familiarizado com o conceito da biodiversidade."
"Apesar do
desconhecimento público do que a perda da biodiversidade representa, os
cientistas são de opinião que é crucial agir imediatamente para conter a onda
de extinção," declarou Chapman.
"Em sua grande
maioria, os cientistas acham que a ameaça da crise da biodiversidade é
subestimada por quase todos os segmentos da sociedade: 95 porcento considera
que a população em geral subestima a ameaça; 87 porcento pensa que os governos
a subestimam; 80 porcento acha que a mídia também o faz; e 58 porcento são de
opinião que os educadores não a identificam com precisão."
Tanto os especialistas
científicos quanto os professores de ciência admitiram que eles próprios são
parte do problema de comunicação.
Setenta porcento dos
cientistas e 67 porcento dos professores de ciência declararam não terem
divulgado adequadamente informações sobre as conseqüências da crise da
biodiversidade. "Não sei de nenhuma geração de cientistas que tenha se
defrontado com um desafio maior do que enfrentamos hoje, pois nenhuma outra
geração se viu na encruzilhada entre a continuidade da existência da
diversidade biológica da Terra e uma catástrofe irrevogável da biota,"
comentou Michael J. Novacek, Provost Científico do Museu.
*Ed Ayres é Diretor de Redação da Revista World Watch -
bimestral, publicada pelo Worldwatch Institute em 30 idiomas (a edição
brasileira é publicada pela UMA-Universidade Livre da Mata Atlântica )
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